São quatro horas da tarde. Em um pátio enorme, cercado de pessoas, está uma grande caixa brilhante. Curiosas, as pessoas ao redor tentam entender o que é aquele cubo gigante que convida a dar um mergulho em sua alma digital.

Alma digital, o que isso? E esse cubo? Será uma piscina? Ou, quem sabe, um aquário do futuro?

Me aproximo do rapaz que está na frente da única abertura da caixa. Ele pede o nome do meu perfil no Instagram e o digita em uma pequena tela. Antes de entrar pelo buraco tenho de tirar os sapatos e ficar de meia. É tanto mistério que não perco tempo e, após tirar a sapatilha, me atiro no grande buraco negro.

Por dentro a caixa é coberta por espelhos e uma parede com várias telas (48, para ser exata). E, quando penso que é só isso, frases e fotos começam a aparecer. Coisas que foram compartilhadas apenas na telinha do celular, se tornam enormes naquele grande cubo mágico.

Exposição Museum of me_entrada

Para participar basta ter o nome de uma conta no Instagram desbloqueada.

A obra de arte que proporciona toda essa experiencia é o Museum of me ou “Museu de mim mesmo” em tradução livre. A exposição está no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Belo Horizonte e convida as pessoas a mergulharem em seu mundo virtual.

Segundo Felipe Reif, sócio da Cactus – empresa responsável pela criação da obra –, a apresentação do cubo é totalmente personalizada, já que o Instagram é da pessoa. O que faz com que cada visita seja única.

“Algumas pessoas saem maravilhadas, pois veem toda a sua vida, como casamento, nascimento do filho, ou até mesmo uma viagem especial. Já outras saem querendo mudar o que posta em seu perfil”, conta.

A tecnologia por trás

A experiencia toda para quem vê é muito fácil. Você passa o nome de uma conta do Instagram, que deve estar aberta, tira o sapato (já que no chão também tem espelho) e vê tudo em 1 minuto e 20 segundos.

Mas o que será que está por traz disso tudo? A resposta é: muita tecnologia.

Felipe explica que a obra funciona por meio de algoritmos e inteligência artificial. “Desenvolvemos um algoritmo que pega o nome no Instagram e analisa as fotos do perfil. Esse algoritmo estabelece pesos para quantidade de curtida, comentários etc.  Depois, usando uma equação ele mostra as fotos mais importantes para o usuário”, explica.

Pensa que acabou por aí? Que nada! Parte dessas fotos analisadas são enviadas para um sistema de inteligência artificial que faz outra análise. “Tanto que em um determinado momento da apresentação aparece falas que não é postagem, não é comentário ou hashtag, mas a própria inteligência artificial interpretando as suas fotos”. É do futuro ou não é essa exposição?

Exposição Museum of me tela

Mergulhando na alma digital do Minas Faz Ciência.

Exposição Museum of me Felipe Reif

Felipe Reif é sócio da Cactus, estúdio colaborativo que desenvolveu a cabine.

De onde isso vem?

Criada pela Cactus, empresa localizada em Nova York, E.U.A, que ama tecnologia e a arquitetura, esse cubo mágico surgiu da ideia de tirar o Instagram da tela do celular, levando-o para um mundo infinito.

Outro objetivo da galera da Cactus era que a exposição viajasse. Felipe lembra que no início o cubo iria fica apenas no CCBB de São Paulo. Porém, seus criadores queriam mais. “Por isso, construímos de forma que pudéssemos leva-la para qualquer lugar. Além de poder reaproveitar até o último parafuso”, conta.

A ideia deu tão certo que, além de Belo Horizonte e São Paulo, a obra já passou por Campinas, Rio de Janeiro, Curitiba e estará – no ano que vem – em Recife.

Museum of me

Data: 27 de novembro a 29 de dezembro

Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários)

Valor: GRATUITO

Mais informações: (31) 3431-9400