Você já ouviu falar do axé? E já tocou berimbau? Ahh, aposto que já comeu fubá! Mas você sabia que todas essas palavras têm origem africana? E mais, que muito das nossas músicas, comidas, danças e história tem influência direta dessa cultura.

O conhecimento africano e o seu legado são tão importantes que foi comemorado essa semana o Dia da Consciência Negra. A data busca reconhecer a luta dos africanos escravizados no passado e reforçar a importância de uma sociedade mais justa. Bacana, não é?

Para comemorar essa data o Museu do Espaço do Conhecimento UFMG está realizando diversas atividades durante todo mês de novembro. Uma delas é a exposição Docência Negra.

A mostra foi criada por seis estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e conta a história de professoras e professores negros da instituição.

Histórias de professor

Na exposição é possível conhecer um pouco da história de 20 professores da UFMG. Segundo Letícia Reis dos Santos, uma das idealizadoras do projeto, cada professor é muito diferente um do outro, já que não têm a mesma idade, curso ou aparência.

“A partir dessa mistura fizemos uma exposição mostrando as muitas trajetórias desses professores”, conta Letícia.

A ideia é mostrar que é possível usar a ciência (pesquisa) para transformar o mundo em um lugar mais igual. “A Universidade é pública e, por isso, ela precisa ser diversa e ajudar as crianças a se tornarem futuros cientistas, pesquisadores ou professores. Afinal, para construir o conhecimento, de forma rica e plural, é preciso da ajuda de todo mundo junto!”, destaca.

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Lançamento da exposição Docência Negra. Foto: Angel Jackson Fotografias

Mas se você pensa que essa exposição é apenas para pessoas negras está muito enganado. Letícia Reis conta que a exposição é para todos, já que é dever de todo mundo lutar por uma sociedade mais igual.

Como começou

Falamos da exposição, mas você imagina onde ela foi criada? Na universidade, é claro!

Letícia conta que o Docência Negra é um projeto financiado pela UFMG, por meio da Chamada da Pró-reitoria de Ações Estudantis (PRAI). Programa que investe em projetos de estudantes de graduação da instituição.

Após serem aprovados a Letícia, junto com o Gabriel Nunes da Silva, a Michelle Correa de Souza, Roberth Daylon dos Santos Freitas, Thiago Cordeiro Almeida e Camila Mendes Moreira decidiram investigar onde estão os professores negros da UFMG. 

“A pergunta não é se existe, mas onde estão”, conta a estudante.

Mas afinal, por que eles resolveram estudar esses profissionais? Letícia Reis conta que no Brasil mais da metade da população (54%) são de pessoas negras. É muita gente!

No entanto, isso não acontece quando se fala de professores universitários negros. Para se ter uma ideia, segundo a Pró-Reitoria de Recursos Humanos da UFMG, esses profissionais representam hoje apenas 13% do grupo. “Ou seja, a cada 100 professores da Universidade, só 13 são negros”, informa Letícia.

A partir disso, a equipe fez um levantamento dos professores negros e viu que há uma falta desses profissionais na Universidade. “No entanto, isso não é algo que acontece só na UFMG”, destaca.

Segundo a estudante, a exposição é um resumo de todo o trabalho desenvolvido por eles, porém com capacidade de crescer. “Entrevistamos 20 professores, mas levantamos 70, em atividade e aposentados, só na UFMG. Ou seja, é uma iniciativa que pode ter continuidade, mostrando outros professores, até mesmo, de outras instituições”, incentiva. 

MOSTRA DOCÊNCIA NEGRA

Data: 16 a 30 de novembro

Local: Espaço do Conhecimento UFMG – Praça da Liberdade, 700, Belo Horizonte – MG

Valor: gratuito

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