Dezenas de alunos, do gênero masculino, entram semestralmente nos cursos de jornalismo de todo o país, sonhando em se tornarem jornalistas especializados na cobertura de eventos esportivos, principalmente futebol.

Porém, esta realidade tem passado por muitas mudanças. Jovens universitárias cada vez mais focam seus esforços fora das quadras, concorrendo com os homens na cobertura de eventos esportivos como repórteres ou mesmo  narradoras  em emissoras de grande visibilidade.

Ana Carolina Vimeiro, professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais destacou a importância do debate ocorrido durante a Semana da Comunicação, em novembro. “É um assunto que a gente tem falado bastante, sobre a relação do esporte com as questões de gênero, o que levou naturalmente à sua escolha para este debate.”

As mineiras nunca desistiram de lutar pelo seu lugar no ambiente de trabalho, e isso gerou algumas conquistas, como o caso da ex-estudante da UFMG, Isabelly Morais, que se tornou a primeira mulher a narrar uma partida de futebol na história do rádio mineiro e depois também foi a pioneira na narração de uma partida de Copa do Mundo na TV brasileira.

Isabelly Morais acredita que, embora sua trajetória ainda seja muito curta, pois formou-se recentemente, já realizou importantes conquistas na área.

“O contexto em que estou hoje foi o contexto que me permitiu fazer o que já fiz; espero que o contexto de amanhã seja ainda mais significativo para mim e para outras mulheres.”

Adriana Spinelli, ex-repórter e apresentadora do Globo Esportes afirma que, 25 anos atrás, quando aceitou o desafio de se tornar jornalista esportiva, não deu muita importância ao fato de ser mulher.

“Mas estamos falando de muito tempo. As mudanças têm acontecido muito devagar. Fico triste”, destaca. “Tantos anos e a luta parece que está começando.”

Saluá Zorkot diz que sempre foi muito bem recebida, por onde passou. “Mas, ainda sinto que no meio do jornalismo esportivo, no geral, as mulheres ainda estão cumprindo uma espécie de ‘cota’, tipo ‘vamos colocar mulheres para mostrar como elas estão inseridas’. Mas é um processo. Temos ganhado cada vez mais respeito.”, reflete a jornalista.

Preconceito real

Na televisão fechada, apenas 13% dos profissionais que aparecem na frente da tela são mulheres, quase todas elas na reportagem. Nenhuma das famosas “mesas redondas” esportivas conta com a presença de mais de uma comentarista ao mesmo tempo.

Ana Thais Matos, comentarista do SporTV e que atua como repórter de rádio em campo, mostra o que ela precisa encarar dentro do gramado. Em entrevista ao canal de esportes do Portal UOL, reclamou sobre uma triste realidade no seu dia a dia, quando evita ouvir os comentários machistas em relação ao seu trabalho.

“Eu sempre trabalhei com um lado só do fone de ouvido nas transmissões, por uma questão técnica fico com um ouvido na transmissão e outro no ambiente do estádio. Porém, de uns tempos para cá parei, coloco o retorno nos dois ouvidos, no último volume. Não sei mais o que falam e se falam”.

Mayra Siqueira, repórter da Rádio Globo/CBN e comentarista do SporTV, considera que os xingamentos não são muito comuns. O que incomoda mesmo são as cantadas. “Em geral, me calo. Já respondi uma vez, no [estádio] Moisés Lucarelli. Cheguei a temer que os torcedores arrebentassem a grade para me agredir.”

Embora este seja um lado desafiador desta bela profissão, que não pode ser deixado de lado, algumas profissionais se mostram esperançosas em relação ao futuro.

“Machismo está aí. Você não tira, todos nós bebemos machismo na mamadeira, difícil tirar isso de uma geração para outra, ou duas ou de três. Vai acabar aos poucos, mas vai acabar. Enquanto for a sociedade for patriarcal, vai ser difícil.”, reflete a jornalista Milly Lacombe.

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