Você já ouviu falar de jerivá? E da macaúba? Essas palmeiras do cerrado, encontradas em quintais, jardins e matas dão um fruto pequeno e redondinho bem famoso, conhecido como coquinho.

Muitas crianças os usam para brincar de comidinha, ‘três marias’ ou até mesmo como bola. Mas você sabia que esses frutos podem ser usados para fazer comida de verdade?

Foi o que descobriram os pesquisadores do Departamento de Ciência dos Alimentos (DCA) da Universidade Federal de Lavras (Ufla).

A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e coordenada pelo professor Cleiton Antônio Nunes, identificou que os óleos dos frutos podem ser uma boa opção para a produção de comidas, como recheio de biscoito e maionese.

Como eles pensaram nisso? Acontece que os cocos dessas espécies são ricos em óleo.

Isso acendeu uma luzinha de curiosidade nos pesquisadores que passaram a querer saber mais sobre o produto. E mais: se ele poderia ser utilizado na alimentação das pessoas.

“O óleo da macaúba já é utilizado por empresas, inclusive mineiras, na produção de combustíveis, mas queríamos saber mais. Como poderíamos usar esses óleos em alimentos”, conta o coordenador.

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Os óleos extraídos dos coquinhos podem ser uma opção mais saudável para a produção de alimentos. Foto: Cleiton Nunes

Mocinho e vilão

Mas por que isso é tão importante? Acontece que os óleos extraídos desses coquinhos são mais saudáveis do que as gorduras hidrogenadas, famosas gorduras trans, usadas para produzir alimentos.

Essa gordura vegetal é achada naturalmente em algumas carnes e leite, mas em baixa quantidade. O problema são as industrializadas presentes em biscoitos, margarinas, salgadinhos etc.

Por quê? Como elas ajudam a melhorar a textura e aumentar o prazo de validade dos produtos, as empresas usam uma quantidade muito grande, o que pode causar problemas para o corpo, como aumento do colesterol ruim e doenças no coração.

“Então é muito importante buscar fontes de óleos e gorduras que venham substituir esse ingrediente”, ressalta Cleiton Nunes.

Com casca e tudo

Mas você acha que os superpoderes dos coquinhos acabam por aí? Claro que não.

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Farinhas produzidas com a polpa e a torta dos coquinhos. Foto: Cleiton Nunes

Durante a pesquisa, a equipe viu que, após extrair o óleo, sobram muitas partes do coquinho. Principalmente a polpa e a torta (amêndoa após extração).

Cleiton Nunes conta que a equipe decidiu, então, estudar como poderiam usar também esses subprodutos na alimentação. A ideia deu vida a outra pesquisa, também apoiada pela FAPEMIG, que está sendo desenvolvida.

Segundo o coordenador, uma possibilidade já encontrada pelos pesquisadores é usar esse material para fazer farinha, alimento que, além de ser natural, pode ajudar o corpo humano, já que possui muita fibra e um possível potencial prebiótico.

Como esse prebi-sei-lá-o-que ajuda o corpo da gente? Ele é muito amigo do intestino, pois ajuda a microbiota intestinal, sendo muito importante na alimentação.

Cleiton destaca, entretanto, que esses são apenas os primeiros resultados sobre a farinha. A ideia, segundo ele, é avaliar a aplicação, tanto dos subprodutos dos coquinhos quanto dos óleos, direta nos alimentos. “Queremos ver como os alimentos ficam, para saber se serão gostosos para o consumidor”, conta.

Gostou do assunto? Saiba mais sobre a pesquisa no vídeo da FAPEMIG aqui.