Já ouviu falar em poraquê?

O nome oficial desse bicho é Electrophorus electricus! Ele é uma espécie de peixe que pode chegar a dois metros de comprimento e pesar cerca de vinte quilos.

Popularmente, muita gente conhece o poraquê como uma espécie de peixe-elétrico, ou seja, ele tem capacidade de gerar eletricidade!

O termo “poraquê” vem da língua tupi e significa “o que faz dormir” ou “o que entorpece“.

Esse peixe é típico da Bacia amazônica, uma região que ainda temos muito a explorar do ponto de vista da biodiversidade.

De Minas para a Amazônia

O pesquisador de pós-doutorado Tulio Franco Teixeira (foto) é um dos integrantes de um grupo que descobriu duas espécies novas de poraquês.

O grupo é parte do Programa de Pós-graduação em Biologia de Vertebrados da PUC Minas. O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications – um feito importante na carreira de cientistas!

O estudo propõe hipóteses de relação de parentesco, evolução, tempo de diversificação e distribuição dessas espécies.

As duas novas espécies, Electrophorus varii Eletrophorus voltai, foram descritas em homenagem póstuma ao ictiólogo americano Richard P. Vari, por suas contribuições à ictiologia, e a Alessandro G. A. A. Volta, que inventou a primeira bateria elétrica inspirando-se na fisiologia desses peixes elétricos.

A descoberta das novas espécies foi feita cerca de 250 anos após a descrição da primeira espécie (Electrophorus electricus) pelo naturalista Carl Linnaeus, elevando para três o número de espécies no gênero, afirma Túlio.

O pesquisador Túlio Franco Teixeira com um poraquê na Guiana Francesa

Peixe-elétrico pode matar?

Segundo Túlio Teixeira, de forma geral, peixes-elétricos de menor porte utilizam a descarga elétrica para comunicação e localização.

Mas os poraquês também utilizam a forte descarga elétrica para atordoar ou matar suas presas, além de se proteger de potenciais predadores.

Uma das espécies de poraquês, E. voltai, é capaz de produzir descargas elétricas de até 860 volts, a maior descarga elétrica produzida por um animal no mundo, ressalta Tulio.

“Este trabalho, liderado pelo brasileiro Carlos David de Santana, é fruto da parceira entre pesquisadores de diversas instituições nacionais e internacionais, incluindo a PUC Minas, e caracteriza um subproduto de um grande projeto Evolução e Diversidade de Gymnotiformes, realizado em uma parceria entre o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e a Smithsonian Institution“.

Tulio trabalha sob supervisão do professor Nilo Bazzoli, coordenador dos Programas de Pós-graduação stricto sensu da PUC Minas.

Com informações da assessoria de comunicação da PUC Minas.