Já ouviu falar em chocolate rosa? Viu a produção limitada de barras de chocolate nesta versão, produzidos pela Nestlè? Acompanhou as mais de 25 mil fotos já publicadas no Instagram sobre o produto? Sabia que não se trata de corante?

Pois é. A grande novidade no mundo da ciência dos alimentos, o chocolate rosa, chamado Ruby, foi inventado, em 2017, pela maior empresa produtora de cacau do mundo, a Barry Callebaut, com sede na Suíça e chegou ao Brasil este ano.

Há 80 anos, desde o lançamento do chocolate branco, a indústria do cacau não apresentava uma novidade tão significativa.

A ciência por detrás do chocolate rosa ainda é um mistério. A empresa vem tratando como um segredo comercial.

Sabe-se que o chocolate marrom é resultado da secagem e fermentação dos grãos amargos do cacau, até que se tornem comestíveis. Tal processo existe há mais de 4 mil anos. O cacau resultante pode  ser aquecido em um licor, que separa os sólidos e a manteiga de cacau. 

Os sólidos e a manteiga são misturados novamente em proporções específicas do produto; quanto mais sólidos, mais sabor chocolate terá dentro (embora a porcentagem de cacau que você vê impressa no rótulo seja a massa total de manteiga e sólidos). A maioria dos doces também contém leite e açúcar.

Já o chocolate rosa, segundo seus inventores, deriva de um grão de cacau “rubi” que cresce na Costa do Marfim, Equador e Brasil. Na patente, os fabricantes explicam que uma maneira de tornar um “material derivado do cacau vermelho ou roxo” minimizando a fermentação (3 dias ou menos), tratando o produto com um ácido e usando éter de petróleo para remover ácidos graxos. Esse tratamento pode criar uma nova cor ou preservar uma tonalidade valorizada que, de outra forma, poderia ser perdida na produção.

Claro que isso é apenas uma pista. Muitas patentes são fantasiosas, já que as empresas solicitam proteções de propriedade intelectual sobre ideias que nunca pretendem desenvolver. Mas essas pistas podem muito bem fornecer uma visão dos bastidores de como o chocolate é feito.

Certo é que o novo chocolate é um sucesso no Instagram onde já foram publicadas mais de 27 mil imagens de produtos derivados do chocolate rosa. Veja alguns!

O CEO da Barry Callebaut, Antoine de Saint-Affrique, disse à Bloomberg que o chocolate rubi chega após cerca de uma década de desenvolvimento. O chocolate parece ter como alvo a geração do milênio em um ano repleto de várias inovações alimentares coloridas voltadas para compradores mais jovens, obcecados pelo Instagram.

“É natural, colorido, hedonista, há um aspecto indulgente, mas mantém a autenticidade do chocolate”, disse Saint-Affrique à Bloomberg. “Ele tem um bom equilíbrio que fala muito com a geração do milênio”.