Muitas pesquisas têm culpado unicamente as mídias sociais pela infelicidade dos jovens, que passam muito tempo conectados. Porém, um novo estudo, de longa duração, mostra que outros fatores podem influenciar mais do que o conteúdo das redes.

Os pesquisadores Russell Viner e Dasha Nicholls, da Inglaterra, estudaram mais de 13 mil adolescentes, entre 13 e 14 anos, pelo período de três anos.

A cada ano, eles respondiam novamente ao mesmo questionário com perguntas sobre a escola, frequência às aulas, bullying, hábitos alimentares e práticas de exercício.

Esses dados foram cruzados com a frequência de uso das redes sociais online.

A conclusão foi de que a falta de sono, exercício e o cyberbullying aumentavam a ansiedade e infelicidade dos jovens, muito mais do que aquilo que viam e faziam ao telefone.

Esse padrão foi mais forte nas meninas.

“Eu concordo com a visão de que ‘tempo de tela’ é um conceito simplista”, diz Yoon Hyung Choi. Ela é especialista em mídia social e bem-estar na Cornell University, em Ithaca, Nova York. “Importa como os adolescentes estão usando a tecnologia”, observa ela.

Usá-la para conversar com amigos e familiares ou como uma forma de expressão criativa pode ser bom. O vício e acesso a conteúdos ruins é prejudicial, mas pode ser revertido com mudança de hábitos.

O melhor, segundo os cientistas, é dormir o suficiente, pelo menos oito horas por noite, se exercitar com frequência e evitar as conexões negativas para uma vida mais saudável.

*Com informações da pesquisa R.M. Viner et al. Roles of cyberbullying, sleep, and physical activity in mediating the effects of social media use on mental health and wellbeing among young people in England: A secondary analysis of longitudinal dataThe Lancet Child & Adolescent HealthVol. 3, October 1, 2019, p. 685. doi: 10.1016/S2352-4642(19)30186-5.