Espécie que atrai pelo colorido é comum no cerrado (Foto: Arquivo da pesquisadora Karina Cavallieri, da UFU)

Já ouviu falar em mulungu?

Se não ouviu falar, mas mora no cerrado, é bem provável que já tenha visto um!

Mulungu é uma árvore bonita que dá flores de cor laranja ou avermelhada.

O nome científico é Erythrina mulungu e esta árvore geralmente floresce entre julho e setembro.

No período de flor, ela fica completamente desprovida de folhas.

Essa árvore é utilizada na medicina popular brasileira há muito tempo como um sedativo e calmante natural. Também há relatos de uso no tratamento do estresse, da ansiedade e da depressão.

Mas uma pesquisadora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) está descobrindo outros usos importantes do mulungu!

Propriedades medicinais

Karina Cavallieri coleta composto para a pesquisa (Foto: Alexandre Costa / reprodução UFU)

Karina Cavallieri (foto) estuda o mulungu do cerrado com foco nos compostos existentes na casca do tronco da árvore.

Ela faz mestrado sob a supervisão do professor Marcos Pivatto, do Programa de Pós-Graduação em Química da UFU.

A pesquisa da Karina quer descobrir substâncias que possam ser úteis no tratamento de doenças negligenciadas, como a malária.

Karina notou que muitas “teorias” advindas do uso do mulungu na medicina popular já foram comprovadas, como a propriedade calmante, observada nos chás das cascas, além da atividade anti-inflamatória e do efeito analgésico.

Mas novas pesquisas são importantes para comprovar e compreender as propriedades para as quais a planta é utilizada, além de descobrir novas aplicações medicinais, auxiliando diretamente a comunidade.

Mulungu pela saúde

O mulungu está incluso na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde (Renisus), uma lista elaborada pelo Ministério da Saúde com base em espécies vegetais já utilizadas nos serviços de saúde estaduais e municipais.

O documento foi baseada no conhecimento tradicional e em estudos químicos e farmacológicos. Mas os cientistas alertam que é preciso tomar cuidado com a premissa “se bem não fará, mal não causará”.

Embora as plantas sejam uma alternativa importante para o tratamento das enfermidades, é necessário associar o conhecimento tradicional ao científico para se ter eficácia e segurança, dois pontos indispensáveis quando se fala em medicamentos.

Com informações da Assessoria de Comunicação da UFU.