Pense em energia!

Imagine, então, a eletricidade e o modo como ela é gerada. Em seguida, acrescente características como “pouco poluente”, “renovável”, “sustentável”, “com alto potencial para abastecer indústrias e cidades” e “ampla variedade de tipos espalhados por Minas Gerais”.

Agora, me diga: desde o início, você pensou em hidrelétricas?

Nada mais natural, posto que, no Brasil, tais usinas são responsáveis por mais de 60% da geração de energia da matriz elétrica nacional, algo em torno de 101 milhões de kW (quilowatts), segundo o Banco de Informações de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (Big/Aneel).

Contudo, apesar de terem se tornado “celebridades”, as hidrelétricas não atuam sozinhas.

Na verdade, elas recebem importante ajuda, no que tange à produção de energia, de usinas eólicas, fotovoltaicas, termoelétricas etc.

Matriz energética brasileira

Como numa colcha de retalhos, a matriz energética brasileira depende de diversos tipos de usinas espalhadas segundo as características propícias à geração em cada local.

No Rio Grande do Norte, por exemplo, temos o maior parque eólico do País, enquanto, em outros lugares, o fornecimento se restringe ao hidrelétrico.

Por isso, é tão significativo o mapeamento dos estados, para compreensão do tipo de geração cabível a cada um. Surgem, assim, os chamados atlas energéticos.

Em Minas Gerais, a Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (Cemig) desenvolveu, em 2010 o Atlas Eólico, como produto do “Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico” (P&D), realizado em parceria com a Novas Opções Energéticas (NOE) e cofinanciado pela FAPEMIG.

Entre 2012 e 2016, a Cemig mapeou novamente o estado, para criar o Atlas Solarimétrico, que detalha o potencial de geração energética por fonte fotovoltaica (solar).

Em 2017, foi a vez do Atlas de Biomassa.

O Atlas da Biomassa mineiro

A biomassa é o material combustível com maior diversidade de origem e emprego, por tecnologias diferentes, para geração de energia.

Ela se deriva de três bases: materiais lenhosos, não lenhosos e resíduos orgânicos. Por compor um quadro de sustentabilidade, são renováveis e impactam pouco no meio ambiente.

Enquanto os lenhosos têm suporte nas madeiras (eucalipto e pinus), os não lenhosos provêm dos resíduos do cultivo (cana-de-açúcar, milho, café, dentre outros). Já a base de origem residual orgânica é obtida nos efluentes sólidos e líquidos, urbanos ou agrícolas.

Uma das explicações sobre como usinas termoelétricas prejudicam menos a natureza está, justamente, no direcionamento dado aos resíduos que seriam descartados no ambiente.

A manutenção e a proteção ecológicas são maiores do que os eventos de destruição. Outro fator positivo diz respeito ao uso desse modelo energético em substituição a outros mais agressivos, a exemplo das próprias hidrelétricas.

Minas Gerais conta com tantas características geográficas favoráveis à geração energética por meio da biomassa – relevo, solo, clima, hidrografia, vegetação etc. – que cada município apresenta possibilidades únicas para tal modelo.

Além dessas qualidades, a biomassa pode ser obtida no próprio local da geração energética. Uma fazenda de cana-de-açúcar decidida a usar o bagaço do cultivo, que seria descartado, consegue se sustentar ao produzir sua própria energia para consumo.

Imagem meramente ilustrativa via Pixabay

Reportagem de William Araújo. Originalmente publicada na Revista Minas Faz Ciência n. 75.