Amarelo, azul ou bem branquinho. Quadrado, redondo ou Polenguinho. Esse é o queijo, iguaria antiga feita a partir do leite de vacas, cabras, ovelhas, búfalas e outros mamíferos.

Mas você sabia que, além de ser um alimento delicioso, o queijo pode ajudar a prevenir doenças nos olhos? Como isso é possível? Com uma ‘forcinha’ da ciência, é claro!

É isso que pretende o estudo de Denise Sobral que substitui o corante tradicional do queijo prato pelo de luteína. Pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) ela trabalha há 14 anos, exclusivamente, com queijo.

Segundo Denise, o uso do corante de urucum no queijo é comum no instituto. “Porém, apesar de ser natural, o produto não traz benefícios à saúde”.

Desta forma, com o objetivo de encontrar uma maneira para que o alimento ajude a saúde das pessoas a pesquisadora começou a estudar o tema.

“Na pesquisa vimos que existe um corante chamado luteína, que além de colorir amarelo, como o urucum, também ajuda na saúde dos olhos”, informa.

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Imagem meramente ilustrativa. Foto: Agência Minas

Após a descoberta, era preciso confirmar se a ideia daria certo. Para isso a equipe conseguiu amostras do corante e as misturaram ao leite para fazer o queijo prato. “O processo foi o mesmo de quando utilizamos o corante do urucum, o que facilitou a adaptação”, conta Denise.

Pronto para a venda?

Os resultados, segundo a pesquisadora, foram bons. “A composição, textura e aspectos sensoriais do queijo foram bem aceitos pelos consumidores”.

No entanto, ela destaca que há ainda muito chão a percorrer. Acontece que, apesar do objetivo de colocar a luteína no queijo ter sido alcançado, houve perda da substância no soro do leite.

“Como ela é cara queremos aumentar a fixação. Então, a próxima etapa é buscar um emulsificante para fixá-la melhor no queijo”, informa.

Denise Sobral conta que após esse aperfeiçoamento, a tecnologia será divulgada aos laticínios. “Nosso objetivo é transmitir esse conhecimento aos produtores o quanto antes”, destaca.

Desenvolvido por meio do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) a pesquisa conta com o apoiado da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

Corante do bem

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A luteína pode ser encontrada em diversos alimentos, um exemplo é o milho. Foto: Pixabay.

Mas afinal o que é luteína? Vendida em cápsulas, ela é um dos principais carotenóides naturais presente em diversos alimentos.

Ca-ro-te, o quê? Calma, esse ‘palavrão’ é o nome da substância responsável pela pigmentação amarela, alaranjada ou vermelha dos alimentos.

Carotenóides como a luteína são antioxidantes e famosos por sua função protetora dos olhos e da visão. Para se ter uma ideia eles conseguem prevenir a catarata e a degeneração ocular – doença sem cura até o momento.

Mas atenção! O corpo humano não consegue produzi-lo. A única forma de garantir esta superproteção é incluindo alimentos ricos em luteína na alimentação.

Segundo Denise Sobral, acontece que nem sempre isso é feito. Dessa forma, o queijo seria uma oportunidade fácil e barata para as pessoas integrarem a substância em sua vida. “É a mesma lógica de colocar iodo no sal. Trazer benefícios para a população sem ela perceber”, destaca.