Não é falta de banho, nem quer dizer que alguém está fedido. Ao contrário do que o nome sugere, o fedegoso-do-mato é uma plantinha com flores amarelas bem bonitas que pode ter um importante papel para a saúde.

O nome científico do fedegoso-do-mato é Senna silvestris, é ela uma das poucas plantas de sua família (Fabaceae) que ainda não apresenta relatos de uso na medicina popular.

Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) decidiram, então, estudar esta planta que torna a estação chuvosa do cerrado ainda mais bonita, devido à exuberância da floração.

Como é feita a pesquisa?

De acordo com os pesquisadores Michelle Nascimento, que é doutoranda, e seu orientador, Marcos Pivatto, do Instituto de Química, o estudo químico pode mostrar se a planta tem compostos que possam ser utilizados como medicamentos.

Caso essa hipótese se confirme, o fedegoso pode ser uma alternativa para as populações que utilizam plantas da mesma família para o tratamento de alguma enfermidade.

Para descobrir se a planta traz benefícios para a saúde, os pesquisadores usam técnicas de separação como a cromatografia líquida de alta eficiência, que é uma ferramenta utilizada para identificar e quantificar cada um dos componentes de uma mistura.

Também usam a técnica de espectrometria de massas em alta resolução, que oferece informações sobre a massa molecular dos compostos, importante para a caracterização das estruturas moleculares.

Essas ferramentas foram utilizadas para estudar o perfil químico de 10 espécies de plantas da família Fabaceae, que foram coletadas e analisadas por Michelle Nascimento e serviram de filtro para a seleção de Senna silvestris para um estudo mais aprofundado.

A pesquisa ainda está em andamento e tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Chapada em Natalândia, Minas Gerais, Brasil. Créditos: Denis A. C. Conrado / Wikipedia

Preservação do Cerrado

Michelle Nascimento alerta para os riscos da não conservação do cerrado, cujas áreas se tornam cada vez mais escassas devido à expansão das monoculturas e da pecuária.

Segundo ela, muitas espécies encontradas nesse bioma correm o risco de extinção sem ao menos serem estudadas, perdendo-se, assim, informações importantes sobre possíveis propriedades medicinais.

Preservar os biomas do Brasil é também garantir um futuro para a ciência.

Com informações da UFU.