Conhecida pela sigla ETE, uma estação de tratamento de efluentes tem por finalidade evitar que milhões de contaminantes, jogados nos esgoto diariamente, cheguem ao rio ou ao mar, causando ou aumentando a poluição.

Geralmente, a infraestrutura das ETEs é pensada para tratar os esgotos de origem doméstica e/ou industrial, também chamados de esgotos sanitários.

Mas, além das sujeiras mais comuns, há uma série de microcontaminantes muito poluidores e mais difíceis de “pegar”, que podem passar ilesos pelo sistema.

Substâncias secretadas pelo nosso corpo, como hormônios e medicamentos, ou mesmo microcompostos da fabricação e uso de produtos de limpeza, de higiene pessoal, da produção de plásticos, de pesticidas, entre outros, são muito pequenininhos, mas podem causar grande prejuízo à saúde humana e animal, mesmo em baixíssimas concentrações.

Como as estações de tratamento do tipo convencional não apresentam formas de remoção desses microcontaminantes, eles são lançados no curso d’água e comprometem a qualidade da água para abastecimento, conforme explica Fátima Resende Luiz Fia, professora do Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento da Universidade Federal de Lavras (UFLA).

O desafio das ETEs

De acordo com Fátima Fia, nas estações convencionais, é realizada a remoção da matéria orgânica, nitrogênio, fósforo e organismos patogênicos, e não há muita preocupação quanto aos microcontaminantes.

Isso porque, no Brasil, ainda não há uma norma que regule o lançamento dessas substâncias em corpos d’água.

Mas a pesquisa de mestrado de Débora Fialho, técnica da Diretoria de Meio Ambiente da UFLA, resolveu olhar para este problema com mais atenção, e avaliar se a ETE da Universidade seria capaz de remover esses micropoluentes.

O trabalho avaliou 13 microcontaminantes, como remédios anti-inflamatórios e desreguladores endócrinos, que são substâncias semelhantes aos nossos hormônios. O perigo é que quando eles entram em nosso organismo, confundem as células e provocam danos à saúde.

O estudo foi realizado em parceria com o Laboratório de Águas Residuárias do Núcleo de Engenharia Ambiental e Sanitária da UFLA e com o Laboratório de Caracterização Molecular e Espectrometria de Massas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), e contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

Foto: Débora Fialho

ETE-UFLA no combate aos microcontaminantes

O resultado do estudo é promissor porque demonstrou que, apesar da Estação de Tratamento de Efluentes da UFLA ter sido originalmente concebida para a remoção de matéria orgânica e nutrientes, ela é capaz de remover completamente microcontaminantes como o paracetamol e hormônios.

Para a professora Fátima, o fato da ETE da UFLA possuir um sistema de tratamento biológico combinado, com reatores anaeróbicos e aeróbicos, seguido de cloração e desinfecção ultravioleta, potencializou a capacidade da estação para remover também esses microcontaminantes e evitar a contaminação dos rios.

Segundo Débora, a Estação de Tratamento de Efluentes da UFLA pode servir de modelo para outras instituições que queiram alcançar esses níveis de remoção de compostos tanto tradicionais como de microcontaminantes.

Com informações da Assessoria de Imprensa da UFLA.