O Espaço do Conhecimento da UFMG apresenta, neste domingo, dia 15, uma contação de histórias sobre o continente africano.

Você irá conhecer personagens importantes das culturas Akan, Banto, Yorubá e Zulu, como Nanana-bosele, da história abaixo, que o Espaço nos enviou para você conhecer.

O Espaço do Conhecimento UFMG fica na Praça da Liberdade, entre o Museu das Minas e do Metal  e o Rainha da Sucata.

Apareça por lá!

História do povo Zulu, o povo Banto mais numeroso na atualidade

Os povos Banto e sua cultura também se espalharam pelo mundo por conta da escravidão de povos negros africanos, resistindo até hoje no Brasil especialmente nas comunidades quilombolas.

 

Nanana-bosele e a elefanta de uma presa só

Existem mais de 300 grupos étnicos diferentes que compartilham dessa raiz cultural.

Havia uma mulher que tinha dois filhos pequenos muito bonzinhos, e uma menina que costumava ficar com eles.

Essa mulher se chamava Nanana-bosele (U-na-na-na-bo-se-le), que vinha de um provérbio que significava “uma pessoa tão teimosa quanto um sapo que, quando empurrado para fora, continua voltando e se escondendo dentro das casas”, e era dito que ela
tinha construído por vontade própria sua casa na estrada, confiante em sua autoestima e força superior, mesmo com os perigos que o lugar oferecia.

Certa vez, ela foi buscar lenha e deixou as crianças sozinhas em casa. Um babuíno foi até a casa e disse: “De quem são essas crianças tão bonitas?”.

A criança respondeu: “somos de Nanana-bosele”.

O babuíno disse: “ela construiu esta casa na estrada de propósito, confiante em sua autoestima e força superior”.

Depois, veio um antílope e perguntou a mesma coisa. As crianças responderam “somos de Nanana-bosele”. Todos os animais foram até a casa e fizeram a mesma pergunta, o que foi deixando as crianças com cada vez mais medo.

Por fim, uma elefanta enorme de uma presa só foi até a casa e perguntou: “De quem são essas crianças tão bonitas?” As crianças responderam: “somos de Nanana-bosele”.

A Elefanta disse então: “Ela construiu esta casa na estrada de propósito, confiante em sua autoestima e força superior”.

A elefanta então engoliu os dois filhos de Nanana-bosele, deixando a menina para trás, e foi embora.

À tarde, quando a mãe voltou, perguntou à criança “onde estão meus filhos?”.

A menina disse “Eles foram levados pela elefanta com uma presa só”.

Nanana-bosele então perguntou onde a elefanta as tinha colocado, e a menina respondeu “Ela os comeu!”.

Nanana-bosele então perguntou se eles estavam mortos, e a menina disse que não sabia.

As duas foram dormir, pois já era tarde. Logo de manhã, Nanana-bosele moeu bastante milho, colocou num pote com amasi (a-mas-si), um iogurte muito popular na África do Sul, e se foi, carregando uma faca na mão.

Em sua caminhada, ela encontrou uma antílope, e disse “Mãe, mãe, me aponte qual foi a elefanta que comeu meus filhos, ela tem uma presa só”. A antílope respondeu “Você vai andar até chegar num lugar onde as árvores são muito altas e as pedras são
todas brancas”.

E assim fez Nanana-bosele.

Ela chegou ao lugar indicado e lá encontrou uma leopardo. Ela disse “Mãe, mãe, me aponte qual foi a elefanta que comeu meus filhos.”.

A leopardo respondeu: “Você vai andar até chegar num lugar onde as árvores são muito altas e as pedras são todas brancas”.

Ela continuou a caminhada, passando por todos os animais, que diziam sempre a mesma coisa.

Quando ela ainda estava muito longe, avistou no horizonte algumas árvores muito altas e pedras brancas logo abaixo, e uma elefanta dormindo sob as árvores.

Nanana-bosele foi até o lugar onde estava a elefanta, permaneceu imóvel e disse: “Mãe, mãe, me aponte qual foi a elefante que comeu meus filhos”.

A elefanta respondeu: “Você vai andar até chegar num lugar onde as árvores são muito altas e as pedras são todas brancas”.

A mulher apenas manteve-se imóvel, e perguntou novamente, e a elefanta da mesma forma respondeu. Mas a mulher já havia
percebido o que a elefanta estava querendo fazer: enganá-la dizendo para ela seguir em frente.

Nanana-bosele perguntou mais uma vez, e a elefanta a devorou.

Quando chegou ao estômago da elefanta, ela viu florestas enormes, grandes rios e montanhas, de um lado haviam muitas pedras, e lá haviam muitas pessoas que tinham construídos vilarejos no estômago da elefanta, com criações de gado e cachorros.

Tudo isso estava lá dentro da elefanta, bem como seus filhos.

Ela os deu o amasi do pote, pois eles disseram que não tinham comido nada desde que foram engolidos, só tinham ficado deitados.

Ela perguntou então: “por que é que vocês não assaram a carne da elefanta?”, e eles perguntaram “Se nós comermos essa fera, ela não vai nos matar?” e Nanana-bosele respondeu

“Não, ela é que vai morrer, não vocês”.

Ela acendeu então uma fogueira enorme, cortou o fígado da elefanta e comeu junto com seus filhos.

As pessoas que viviam ali ficaram surpresas, pois esse tempo todo ficaram sem comer.

Quando Nanana-bosele disse a elas que podiam comer a elefanta, todas começaram a cortar pedaços da carne dela, assar e comer.

A elefanta disse aos outros animais: “Desde que engoli aquela mulher tenho me sentido muito doente, com uma grande dor de estômago”, ao que eles responderam: “Pode ser, chefe, por que seu estômago está muito cheio por conta de todas as pessoas que você engoliu”.

Algum tempo se passou e a elefanta por fim morreu.

A mulher abriu a elefanta no meio com a faca que levava consigo. Uma vaca saiu de dentro da elefanta e disse “Mu, mu, finalmente podemos ver o mundo de novo!”.

Uma cabra saiu de dentro da elefanta e disse “béee, béee, finalmente podemos ver o mundo de novo!” e assim também fizeram os cachorros e as pessoas.

Todos fizeram presentes para Nanana-bosele, deram para ela gado, algumas cabras, e algumas ovelhas. Ela partiu com seus filhos para casa, agora muito rica, e retornou muito feliz porque tinha conseguido resgatar seus filhos.

Quando chegaram, a menina ficou muito feliz, pois achava que sua mãe estava morta e ela voltou sã e salva, mostrando que determinação e persistência podem nos levar a vencer mesmo as situações mais assustadoras.