Em um dia muito chuvoso, Leandro de Avelar Oliveira e alguns colegas caminhavam na mata, na Serra do Brigadeiro, em Minas Gerais. Eles estavam gravando sons de rãs, sapos e pererecas, para um trabalho de pesquisa da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Os estudantes e pesquisadores de Ciências Biológicas queriam usar essas gravações para estudar os sons dos animais.

Quando já estavam terminando o dia de trabalho, um dos pesquisadores viu um animal diferente! Nenhum dos estudantes reconheceu o réptil, e ficaram curiosos. “Na hora, a gente ficou encarando o bicho por um tempo, sem ter ideia do que poderia ser. E começamos a achar que poderia ser um novo registro. Talvez até uma nova espécie”, lembra Leandro Oliveira.

Mas o que era o animal?

Os estudantes pegaram o animal e o levaram até o Museu de Zoologia João Moojen, da UFV. Lá, outros pesquisadores analisaram o animal, mas também não conseguiram descobrir o que era exatamente.

Leandro teve a ajuda do professor Renato Neves Feio. Começou a procurar pelo animal nas listas de espécies que existem na Serra do Brigadeiro, e depois entre as espécies que existem em toda a Mata Atlântica.

“Como eu já tinha algumas suspeitas, fui em cima delas para testar. E aí eu contei muitas escamas”, conta rindo o estudante. Entre os répteis, é muito comum que o número de escamas seja usado para diferenciar uma espécie da outra.

Com a contagem das escamas e outras características, os pesquisadores descobriram que aquele animal era uma espécie de serpente chamada Tropidophis paucisquamis.

Como é essa serpente?

Achou o nome complicado? Em inglês, a Tropidophis paucisquamis é chamada de dwarf boa. A palavra boa é usada para serpentes não venenosas, mas que usam a força muscular para matar as presas, por estrangulamento. E dwarf significa “anã”. Em português, seria algo como “jiboia anã”.

“Elas são chamadas assim porque se parecem com uma jiboia pequenininha. Mas elas não pertencem ao mesmo grupo, são de grupos de serpentes diferentes”, explica Leandro Oliveira.

Com cor marrom claro e manchinhas escuras, a pequena serpente não é venenosa. A que foi achada na Serra do Brigadeiro tem 30 cm de comprimento. Ela geralmente caça pequenos lagartos, pererecas, rãs e sapos. E é um animal raro.

No Brasil, já foi encontrada em outros estados: Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Mas essa foi a primeira vez que alguém viu e registrou a serpente em Minas Gerais.

Segundo Leandro, a espécie Tropidophis paucisquamis possivelmente está ameaçada de extinção. Grande parte do problema é o desmatamento. “Todas essas informações nos dão pistas para a gente estudar o que podemos fazer para que esse animal não desapareça”, diz.

 

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