O que este cardume fossilizado há mais de 50 milhões de anos pode nos ensinar sobre o comportamento dos peixes?

Pesquisadores estadunidenses e japoneses publicaram na revista científica The Royal Society um estudo que tentou inferir informações sobre o comportamento coletivo do cardume a partir desta imagem.

O movimento coletivo de diferentes grupos de animais pode indicar regras simples que governam as interações de cada indivíduo com seus vizinhos.

Estudos de espécies existentes hoje no Planeta já mostraram como essas regras produzem um comportamento de grupo coordenado.

Mas pouco se sabe sobre suas origens evolutivas ou se organismos extintos que viviam em grupo usaram regras similares.

O que o cardume fossilizado nos ensinou?

A partir da análise do cardume fossilizado, os pesquisadores relataram evidências consistentes sobre o movimento coletivo coordenado de um grupo de peixes já extintos, o Erismatopterus levatus. 

A análise das posições e orientações dos peixes sugere que eles seguem as mesmas regras de “atração” e “repulsão” que regem os cardumes de hoje: os peixes são repelidos de seus vizinhos mais próximos para evitar colisões, mas permanecem unidos ao grupo por rastrearem os peixes mais distantes.

Detalhe extraído do artigo publicado pelos pesquisadores / Divulgação

A imagem do fóssil apresenta 259 peixes aparentemente nadando na mesma direção.

O fóssil veio, originalmente, de sedimentos na formação do Green River, uma formação geológica que abrange o que hoje são os estados do Colorado, de Wyoming e de Utah, nos Estados Unidos.

Qual foi a causa da morte?

Segundo os cientistas, não fica claro o que matou os peixes.

Mas uma duna de areia pode ter desmoronado repentinamente, por exemplo, o que poderia tê-los enterrado em um piscar de olhos, sugerem os pesquisadores.

Esses achados sugerem que os peixes formam cardumes combinando conjuntos de regras comportamentais simples, desde pelo menos o Eoceno.

O estudo destaca a possibilidade de outros cientistas explorarem a comunicação e o agrupamento social de animais extintos. E a foto é linda, não é mesmo? 😉