Você já ouviu falar no cientista Peter Lund? Ele nasceu na Dinamarca, em 1801, e viveu até 1880. Em 1825, desembarcou pela primeira vez no Brasil, para conhecer as riquezas naturais do nosso território. Mais tarde, em sua segunda passagem pelo País, veio fazer pesquisas em Minas Gerais. Foi aqui que se tornou conhecido como o pai da espeleologia brasileira, a ciência que estuda a formação de grutas e cavernas. Em Lagoa Santa, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Lund fez várias descobertas sobre o período pré-histórico brasileiro. A mais importante foram os fósseis do Homem de Lagoa Santa, nosso ancestral. O cientista também identificou espécies de animais gigantes, como tatu, capivara, preguiças e até um tigre-dentre-de-sabre que habitavam nossas terras há milhares de anos.

Réplicas desses bichos fazem parte da exposição Terra de Lund: uma viagem ao passado ao Brasil pré-histórico, aberta para visitação gratuita até o dia 21 de julho em Betim, na Grande BH. Os visitantes poderão ver, ainda, fragmentos de cerâmicas originais, usadas por descendentes do Homem de Lagoa Santa há mais de um milênio. Ou objetos como pilão, amassador e machado, feitos de pedra, construídos há mais de 10 mil anos, como os descobertos por Peter Lund em seus estudos no campo da arqueologia.

DO OUTRO LADO DO MUNDO

Outras raridades que podem ser vistas de perto são fósseis reais de pequenos bichos, originários de outros países. Um deles é um trilobita, trazido do Marrocos, que teria vivido no período Devoniano, há 400 milhões de anos. Esta é a mesma idade de um coral vindo da Argélia, que fica ao lado de um pequeno camarão encontrado no Líbano no período Cretáceo (entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás).

Para quem se interessa pelos grandes animais, há pelos e um pequeno pedaço da presa de um mamute que viveu na Sibéria no período Pleitoceno, há mais de 11 mil anos. (Veja o catálogo da exposição)

O próprio ilustrador Paulo Werner faz as esculturas e réplicas de ferramentas em exposição. Foto: Alessandra Ribeiro

PAIXÃO PELA CIÊNCIA

O responsável pela iniciativa é o jornalista ilustrador Paulo Baraky Werner. Ele é autor do livro infantil Terra de Lund, lançado em 2014, com apoio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Contagem. Os personagens são inspirados nas descobertas do cientista dinamarquês, como Gigante, uma preguiça, e Meio-dente, um tigre-dente-desabre. A história ganhou até uma animação, disponível no Youtube (assista, abaixo).

“É uma maneira de homenagear o Peter Lund e levar ao público infantil todo esse universo da pré-história, de uma forma mais simples e mais lúdica”, diz.

Interessado em espeleologia, arqueologia, astronomia e ufologia (o estudo sobre discos voadores e a vida extraterrestre), Paulo não tem formação acadêmica – é um autodidata. “Eu me interesso por ciência desde pequeno”, conta. Foi ele mesmo quem fez as esculturas de praticamente todos os animais da exposição, assim como as imitações de ferramentas pré-históricas que o público pode tocar e a maquete de uma caverna, em tamanho reduzido.

As peças originais, segundo Paulo, são doações de amigos que moram no exterior ou emprestadas por instituições apoiadoras. Ele também assume praticamente todo o custo financeiro da montagem. A ideia é conseguir parceiros para leva-la a todo o País.

“Muitas crianças que visitam a exposição não imaginavam que aqui [no Brasil] existiam mastodontes, tigres-dente-de-sabre, no passado. Ou que há cavernas bem perto daqui. O objetivo é trazer informação”, diz.

SERVIÇO

Exposição Terra de Lund: uma viagem ao passado ao Brasil pré-histórico

Até 21 de julho, das 14h às 21h, no Montecarmo Shopping (Av. Juiz Marco Túlio Isaac, 1119, Ingá Alto – Betim).

Entrada gratuita