De repente, você dá uma olhadinha para o lado, abre os braços e, sem esforço algum, começa a voar. Lá de cima, contempla árvores azuis, lagos grenás, além, é claro, de bois com cara de xícara. Ah! Já ia me esquecendo de algo: por que será que aquele seu antigo amigo resolveu ficar ali, no meio da cachoeira de azeitonas, em longa conversa com dois morangos gigantes?

Calma, calma! Não fiquei maluco, não. O textinho aí de cima busca, apenas, descrever um daqueles velhos, bons e enigmáticos… sonhos! Afinal, em certas noites – de olhos bem fechados –, a gente vive cada experiência biruta, né?! Pois vem daí, justamente, o meu questionamento maior, estampado já no título desta reportagem: “De que são feitos os sonhos, afinal?”

Lá na Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, teve gente também ansiosa por perguntar algo assim. No livro Por que sonhamos? [Estraladabão, 2019], organizado pelas professoras Débora Reis e Carla Coscarelli – com lindas ilustrações de Cláudia Jussan –, profissionais de diversas áreas pensaram sobre o tema, à procura de respostas beeeem interessantes!

Que tal conferir algumas delas?

Mil possibilidades

Já na apresentação do livro, as organizadoras do livro nos lembram de algo fundamental: “A resposta para uma pergunta depende da história, da cultura, das crenças e dos conhecimentos de quem explica”.

Ah, “tá”! Mas o que isso quer dizer? Ora, ora! As professoras desejam ressaltar que não há resposta definitiva para as dúvidas do mundo! Portanto, o bacana, mesmo, é ouvir as pessoas, além de participar dos zilhões de debates possíveis sobre as infinitas questões que mantemos sobre o tempo, a vida, as pessoas.

Neste sentido, Por que sonhamos? não procura verdades absolutas sobre sua questão central. Na verdade, os profissionais convidados, cada qual à sua forma, recorreram ao próprio conhecimento acumulado – e, claro, às suas vivências – para elucidar parte(s) do “problema”.

O ilustrador e escritor Marcelo Xavier, por exemplo, lembra algo bem bonito em seu texto: “A gente sonha para esquecer que não é passarinho e poder voar sobre a cidade”. (Aliás, viu só como a primeira frase desta reportagem, lá em cima, faz algum sentido?!?!)

Já Patrícia Martins, psicóloga e professora de educação básica, destaca a ilimitada criatividade de nossas aventuras com olhos fechados: “O sonho é um espaço sem regras, sem limites, às vezes sem lógica, um espaço curioso e surpreendente”.

Por fim, dentre outros vários depoimentos bacanas, o filósofo Mauro Condé chama a atenção para as ininterruptas atividades de nossa cachola: “O corpo humano necessita desse processo do sonho, pois o nosso cérebro não para nem quando dormimos”.

Bem… Antes de terminar nossa conversa sobre tema tão intrigante, gostaria de lhe propor um desafio, pequeno leitor, pequena leitora: amanhã, ao acordar, tente se lembrar dos detalhes de tudo o que sonhou. Será que, para além do sono profundo, algo vai se perder na vastidão da memória?

Livro: Por que sonhamos?

Organização: Débora Reis e Carla Coscarelli

Editora: Estraladabão (Editora UFMG)

Páginas: 43

Ano: 2019