Gosta de dança? Sonhar ser bailarina ou bailarino? Vive em busca de informações sobre os melhores dançarinos ou dançarinas do mundo? Então, certamente já ouviu falar da Academia de Balé BolshoiCompanhia de Balé Bolshoi ou simplesmente Balé Bolshoi, uma das mais antigas e famosas companhias de dança do mundo.

Talvez você não saiba é que existe aqui no Brasil uma Escola do Teatro Bolshoi aberta a crianças e jovens de todo o país. É a única extensão do Teatro Bolshoi no mundo, primeira vez que o método de ensino de balé de uma das mais respeitadas instituições do mundo é transferido a outro país.

Eu estive lá e vou contar para vocês como a ciência está presente na formação de um profissional da dança destinado a se tornar destaque internacional, dentro dos rigorosos padrões Bolshoi. Mas, antes, vamos saber um pouquinho sobre este incrível pedacinho da cultura russa que temos o privilégio de hospedar em terras brasileiras.

Joinville, Santa Catarina

A Escola do Teatro Bolshoi fica em Joinville, Santa Catarina. É um projeto social, cultural e educacional. Foi instalado há 19 anos, em um complexo cultural da cidade, onde ocupa cerca de seis mil metros quadrados, com salas para aulas de balé, estúdios de música, ateliê, núcleo de saúde, biblioteca, cantina, espaços culturais e dois laboratórios cênicos.

 

São 13 professores e nove pianistas, sendo quatro professores russos, totalmente dedicados à formação de 239 artistas-cidadãos, de 22 estados brasileiros e dois países.

ENSINO GRATUITO

O ensino é totalmente gratuito e os alunos recebem benefícios como alimentação, transporte, uniformes, figurinos, assistência social, orientação pedagógica, assistência odontológica preventiva, atendimento fisioterápico, nutricional e assistência médica de emergência/urgência pré-hospitalar.

Mas tais benefícios exigem grande esforço e dedicação. Os alunos devem apresentar bom rendimento na Escola Bolshoi e também no ensino médio e fundamental, fora da escola,  pois a ausência de boas notas implica na perda da bolsa de estudo no Bolshoi.

“Os alunos recebem educação, aprendem uma profissão, exercitam responsabilidade e constroem cidadania”, orgulha-se Bernadete Costa, coordenadora pedagógica do Bolshoi Brasil.

Cursos oferecidos e reconhecidos. Fonte: Escola Bolshoi

QUER CONHECER DE PERTO?

Foi justamente a gentil Bernadete quem me conduziu por uma fascinante visita guiada pelos andares e corredores deste ambiente dedicado à arte, cultura e também à ciência. É uma experiência é incrível. Cruzar com estes jovens aprendizes pelos corredores e nas salas nos coloca bem próximos de talentos especiais, não apenas em técnica, mas em doçura e encantamento. Não houve um aluno que não nos recebesse com um lindo sorriso e um educado bom dia, em seus uniformes e postura invejáveis.

Mas esta visita não é um privilégio apenas de jornalistas e pesquisadores como eu. Você e sua família também podem participar, pois a Escola recebe estudantes, professores, bailarinos e público em geral para visitas monitoradas.

O público tem a oportunidade de conhecer a história do Bolshoi no Brasil, informações sobre o processo seletivo, audições de novos alunos e todo o funcionamento da instituição. As visitas ocorrem diariamente em dois horários 10h e 14h30.

Em 2018, mais de cinco mil pessoas visitaram a Escola Bolshoi. Uma média de 450 turistas por mês.

PROCESSO SELETIVO

A seleção anual para novos alunos compreende etapas que vão do despertar de jovens e crianças para o mundo das artes, até avaliações médicas e artísticas específicas. São disponibilizadas vagas para os cursos técnicos e básicos da instituição. Mas você já deve ter imaginado que não se trata de um processo fácil, né? A disputa já  atingiu um índice de 100 candidatos por vaga.

Para saber sobre datas de audições que acontecem em todo o país, acesse o site da Escola.

CIA JOVEM

Em 2008, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil sentiu a necessidade de criar uma Companhia Jovem, para colher os frutos dos talentos desenvolvidos na instituição. A consolidação da Companhia Jovem da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil responde à demanda por crescimento e desenvolvimento da dança no país.

O padrão de excelência, que os bailarinos da Cia. Jovem traz de sua formação, faz com que sejam reconhecidos em todos os seus trabalhos. A proposta da Companhia Jovem ETBB é manter-se ativa em apresentações públicas constantes; seus artistas devem atuar como agentes formadores de plateia e incentivadores de novas vocações. Em 2019, a Cia. Jovem tem como professora ensaiadora Maria Antonieta Spadari e conta com 15 bailarinos.

A FORMAÇÃO DE UM BAILARINO PROFISSIONAL

Ao contrário do que muitos pensam, não é preciso saber dançar para entrar na Escola Bolshoi. Bernadete explica que o mais importante é a predisposição física, ritmo e aquele talento nato, difícil de ser explicado. Para identificar estas pessoas especiais espalhadas pelo país, um grupo de profissionais viaja regularmente para etapas de pré-seleção e para audições, a depender da idade dos candidatos.

A seleção é aberta para qualquer criança, desde que esteja dentro do edital da Seleção, ou para os candidatos aprovados na Pré-Seleção.

Etapas:
• Médico-fisioterápico.
Avaliação com médicos e fisioterapeutas para atestarem as condições para a prática da dança. São analisadas musculatura, articulações, habilidades físicas, motoras, percentual de massa corpórea, somatotipo e flexibilidade.

• Artístico-musical e cognitiva.
Avaliam quesitos de musicalidade, projeção cênica e desempenho intelectual dos candidatos.

As incrições podem ser realizadas online.

A CIÊNCIA POR TRÁS DA ARTE

Formar um dançarino de alta performance é como investir na carreira de um atleta olímpico: exige muito estudo e ciência, para extrair o máximo do talento e do físico dos aprendizes. Para isso, foram desenvolvidos alguns métodos importantes, adotados pela Escola Bolshoi.

MÉTODOS  VAGANOVA E BUSQUET

Além da técnica, da expressividade e do talento também é fundamental ter um corpo compatível com as exigências do método Vaganova (diz-se “vagânova”), ensinado na instituição, que une a busca da consciência corporal a elementos do balé francês tradicional e do balé italiano.

Para um aluno conseguir render bem no método, precisa de algumas habilidades que dependem meramente da formação de seu corpo. Uma boa curvatura do pé, por exemplo, pode facilitar um movimento na ponta do pé. A preocupação com o peso é uma constante também. O sobrepeso dificulta alguns movimentos e castiga articulações.

O método Vaganova foi criado no século XX pela bailarina russa Agrippina Vaganova. Nele, busca-se o aprendizado de forma gradual e enfatiza-se a consciência corporal do aluno a cada movimento.

Vaganova utilizou a fluidez e expressividade dos braços e torsos do método francês e os giros e saltos virtuosos do método italiano, e desenvolveu um estudo bem planejado. Entre as peculiaridades estão o desenvolvimento da força da parte inferior das costas, a plasticidade dos braços e o desenvolvimento da força, flexibilidade e expressividade necessárias ao estudo do balé.

A ênfase é para que se dance com o corpo inteiro, ao invés de executar movimentos mecânicos. O resultado: bailarinos que deslumbram o público tanto por sua graça quanto por sua bravura.

O método é aplicado nas escolas e companhias da Rússia e foi adotado na Europa, América do Norte e outras regiões do mundo. Entre os bailarinos formados pelo método Vaganova podemos citar Rudolf Nureyev, Mikhail Baryshnikov, Nathalya Makarova, Galina Ulanova, Marina Semyonova, Vladimir Vasiliev, Ekaterina Maximova e as atuais estrelas do balé mundial Svetlana Zakharova, Maria Alexandrova, Nikolai Tsiskaridze, Yuri Klevtsov e Natalia Osipova.

Outra das técnicas necessárias para a formação de um bailarino/a de um nível tão avançado, é o chamado método Busquet. Tal método foi criado pelo Fisioterapeuta e Osteopata francês Léopold Busquet, e tem por finalidade equilibrar as tensões nas cadeias fisiológicas: cadeias estáticas (musculo-esquelética, visceral, neurovascular) e as cadeias dinâmicas (musculares).

Método Busquet

Em outras palavras, significa avaliar uma pessoa de forma global, porque se existe tensão em algum ponto existe, causará disfunções mesmo longe do local de dor e desconforto. Por isso, a avaliação do fisioterapeuta deve ser investigativa e procurar em que ponto está havendo esse desajuste, tratando de forma eficaz a causa e não apenas a dor, que seria a consequência.

Bailarinos estão em movimento constante, numa jornada árdua de aulas, ensaios e espetáculos. Eles usam os mesmos grupos musculares de forma exaustiva. Seus corpos precisam estar livres de tensões, para poderem se movimentar com grande amplitude.

Então, este científico Método Busquet oferece ao bailarino uma melhora na performance, explica a Fisioterapeuta Fabiana Machado, da Escola Bolshoi Brasil.

“Além disso, é necessário criar estratégias para que o próprio bailarino gerencie as tensões diárias através de exercícios compensatórios. Um trabalho comum de alongamento e fortalecimento num corpo em desequilíbrio, onde a biomecânica está alterada, pode ser prejudicial”.

Mas não é só isso. Estudar na Escola Bolshoi inclui aprender também.

  • Dança a Caráter
  • Dança Clássica
  • Dança Contemporânea
  • Dança Popular Histórica
  • Danças Brasileiras
  • Dueto
  • Educação Musical
  • Ginástica Acrobática
  • Ginástica Específica
  • História da Arte
  • História da Dança
  • Iniciação à Pesquisa
  • Literatura Musical
  • Piano
  • Prática Cênica
  • Repertório
  • Rítmica
  • Teatro

DANÇA A CARÁTER

Outra preocupação importante da Escola Bolshoi na formação de seus alunos é a criação de um elo cultural entre Rússia e Brasil, sem perder as raízes. A chamada Dança a Caráter, também conhecida como folclórica, remete à História sem perder a essência, trazendo ensinamentos preciosos, do período romântico até os dias atuais, que continuam sendo indispensáveis no palco.

Na Escola Bolshoi, a dança a caráter é ensinada aos alunos desde a primeira série, com a aula de dança popular histórica. Nesta disciplina, aprendem-se os movimentos básicos, que também auxiliam no desenvolvimento da dança clássica.

Além disso, os alunos adquirem uma noção básica rítmica e musical, aprendem a dança a dois e em conjunto. O resultado deste trabalho é o primeiro contato com o palco, com coreografias que dão base para grandes interpretações no futuro.

HISTÓRIA E ARTE

Dançar exige cultura e conhecimento histórico. Durante a nossa visita, tivemos o prazer de assistir a uma linda encenação dos jovens aprendizes sobre história da arte. Além de dançarem, exporem seus trabalhos e explicarem o conteúdo, os alunos são responsáveis por registrar as imagens dos eventos, para divulgação.

Ficou com vontade de visitar e assistir à perfomance do Bolshoi brasileiro? No próximo dia 19 de junho, no Teatro Juarez Machado, haverá apresentação de gala. O vídeo prévio, de A Valsa das Flores  que faz parte do balé “O Queba-Nozes”, e encanta por sua leveza e por sua música marcante, de Tchaikovsky está disponível no canal de YouTube da Escola.

Se estiver em Joinville semana que vem, pode comprar ingressos pelo site www.enjoyticket.com.br.

PARA SABER MAIS

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