Controlar aviões, carros e até mesmo pessoas no mundo virtual não é novidade para os amantes de ‘games’. Mas graças a tecnologia já é possível comandar objetos, como o drone, fora das telas.

A prática é tão especial que está criando novos esportes. Como é o caso da Artificial Intelligence Robotic Racing (AIRR), corrida de drones autônomos.

A disputa de corridas irá começar em setembro nos Estados Unidos. E o melhor! Contará com uma equipe brasileira em sua final.

A XQuad é formada por pesquisadores de dois laboratórios da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): Visão Computacional e Robótica (VeRLab – Ciência da Computação) e Sistemas de Computação e Robótica (CORO/MACRO – Engenharia Elétrica). E é o único representante da América Latina na disputa.

De acordo com Henrique Machado, aluno de mestrado da UFMG, as corridas de drones pilotados já são famosas, sendo até mesmo transmitidas por canais de esportes. Porém, essa é diferente. “É a primeira competição com drones autônomos apoiado pela Drone Racing League (DRL) principal competição de drones do planeta”.

A disputa será dividia em cinco etapas. Ao final a equipe ganhadora será premiada com US$1 milhão de dólares.

Mas como será escolhido o vencedor? As nove equipes selecionadas para a etapa final irão competir em percursos. A que programar o drone que fizer o trajeto em menos tempo leva o prêmio.

Segundo Henrique, todas as equipes competirão com as mesmas plataformas. “A diferença será o software de inteligência artificial utilizada”, conta.

Para terem um aproveitamento próximo ao máximo, a XQuad está treinando os seus algoritmos em um simulador que imita a pista real.

“Na hora da competição não poderemos mexer em nada, só observar o drone decolar e fazer o percurso”, explica Henrique.

programação drone

Imagem meramente ilustrativa. Foto: Pixabay.

Programação vencedora

Mas se engana quem pensa que foi fácil estar entre os nove colocados. A equipe mineira precisou suar muito a camisa para chegar às finais.

Elerson Santos, aluno de doutorado da UFMG conta que tiveram de disputar um lugar com mais de 400 concorrentes de todo o mundo na etapa preliminar. “Foi uma surpresa, ganharmos!”.

Nessa fase virtual os pesquisadores desenvolveram algoritmos para controlar a trajetória do drone. Depois testou-os em um simulador criado, por nada menos, que o Massachusetts Institute of Technologies (MIT).

Os algoritmos do XQuad estavam entre os que tiveram melhor desempenho, o que garantiu a sua seleção para a próxima fase.

Segundo o pesquisador, a dificuldade em softwares desse tipo é administrar as coisas. Ou seja, controlar a trajetória do drone e a percepção que chega na câmera do equipamento para ver onde está indo, para poder controlar a trajetória do drone.

Para Henrique e Elerson, é uma honra representar o Brasil em uma competição de tecnologia deste nível. Com representantes de países como Estados Unidos e Coreia do Sul.

 “Além de divulgar nosso trabalho, podemos desenvolver novas tecnologias. Já que teremos acesso a equipamentos que normalmente não vemos”, destacam os competidores.

Como a próxima etapa é presencial a equipe está fazendo uma ‘vaquinha-virtual’ para arcar com as despesas da viagem para os EUA. A campanha está disponível aqui.