Não é de hoje que as mulheres fazem história. De Marie Curie a Katie Bouman (uma das responsáveis pela foto do buraco negro) elas não param de contribuir para um mundo melhor.

Porém, muitas vezes, mulheres incríveis são apagadas da história. Pensando nisso, as estudantes do 3° ano do ensino médio da Fundação de Ensino de Contagem (Funec), unidade Centec,  Ana Raquel Maia, Júlia Braga, Maria Luiza Silva, Mikaele Duarte e Vitória Bispo resolveram resgatar a trajetória de brasileiras que mudaram sua época.

As biografias foram reunidas em um aplicativo, o “Pioneiras”. Segundo Júlia Braga, a ideia surgiu em 2017, por meio do seu professor de sociologia, e orientador do projeto, Frederico Alves e Adriana Mara Vasconcelos, coorientadora.

“Não pensei duas vezes! Era a minha oportunidade de contribuir”, destaca a estudante.

Grupo do Pioneiras

As meninas pensaram bastante em como o aplicativo seria antes de definirem a sua estrutura. Foto: acervo FAPEMIG

Mikaele Duarte lembra que no início falaram muito sobre quem baixaria este tipo de aplicativo. “Como faríamos para as pessoas se interessarem e como usariam”.

As meninas resolveram, então, contar a história desde o início. Montando, literalmente, uma árvore cronológica das mulheres. Mostrando heroínas desde antes da colonização portuguesa até os dias atuais.

Para isso, o aplicativo foi divido em partes de árvore. A raiz traz mulheres do século XVI ao XVII (indígenas e escravas), o tronco aborda do século XVIII ao XIX, a copa fala sobre as guerreiras dos dois últimos séculos e os frutos são o que se deseja para o futuro.

O projeto já tem 15 biografias. Incluindo a mineira Carolina de Jesus, escritora negra descendente de escravos. O aplicativo conta, ainda, com jogos didáticos sobre o tema.

O “Pioneiras” teve o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPEMIG) logo em seu início. No fim do ano passado o projeto foi um dos ganhadores da UFMG Jovem, o que concedeu as meninas 3 bolsas de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) .

Germinando o conhecimento

Aplicativo Pioneiras Tela

Tela inicial do aplicativo “Pioneiras”. Foto: Reprodução.

O aplicativo, no entanto, ainda não foi lançado. E as meninas estão trabalhando para disponibilizá-lo no próximo dia das mulheres.

De acordo com Mikaele, no momento há um protótipo desenvolvido pela própria estudante Julia, que pode ser acessado aqui.

“Eu fui montando no programa Figma Design , igual quebra cabeça. O bom que ficou com a nossa cara”, conta Júlia Braga.

Segundo as meninas, esse protótipo traz toda a essência do projeto. Porém, a estudante Maria Luiza lembra que como a plataforma visa ser didática, a ideia é não parar por aí. “Queremos que todo mundo consiga baixá-lo e utilizá-lo”, ressalta.

Para florescer e crescer

Para além do aplicativo, o grupo também tem participado de rodas de conversas sobre a importância das mulheres na construção da história.

Segundo Júlia, neste ano, elas já foram em uma conversação no grêmio estudantil do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet/MG). Além de serem convidadas por uma professora da Escola Olegário Marciel, em Belo Horizonte, para uma roda de conversa sobre mulheres.

 Para quem gostou do assunto e quer saber mais, basta seguir o perfil do projeto no Instagram. Lá você encontra minibiografias, curiosidades e fica sabendo dos eventos que o grupo está participando.

Pela rede social você também pode sugerir perfis que não estão no aplicativo. Segundo Mikaele, as pessoas podem enviar o nome ou a própria biografia da sua pioneira.

“O projeto está em crescimento. A ideia é que todos colaborem para divulgar essas histórias”, destaca.