Se existe um bicho injustiçado neste mundo, é a anta. Ninguém fala bem da anta, nem comenta que está ameaçada de extinção, muito menos que é importantíssima para o reflorestamento de áreas degradadas pela ação humana. Cientistas da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) comprovaram, recentemente, que as fezes das antas ajudam as matas a reflorescer.

Vamos entender melhor esta história?

As antas são os maiores herbívoros terrestres da América do Sul. Elas ingerem muitos frutos, brotos e plantas. Ao defecar, dispensam no chão as fezes com muitas sementes, que acabam renascendo e contribuindo para a regeneração da floresta. Por ser um animal grande, e caminhar bastante, espalha sementes por uma longa extensão.

Durante uma pesquisa, cientistas caminharam por florestas no Mato Grosso, em zonas com alto índice de desmatamento na região amazônica. Observaram que as antas gostavam de passar muito tempo nessas áreas destruídas.

Lucas Paolucci é um dos cientistas que participaram dos trabalhos, sob a coordenação do pesquisador do IPAM Paulo Brando. Segundo Lucas Paolucci, foram coletadas fezes dos mamíferos em áreas de floresta preservada e trechos queimados, com a intenção de comprovar a contribuição das antas no reflorestamento. Nas amostras de fezes foram encontradas aproximadamente 129 mil sementes, de 24 espécies de plantas diferentes.

Foto: Luiz Carlos Rocha/Flickr

Preservação

Além de contabilizar as sementes, os cientistas registraram fotos e imagens das antas para acompanhar a movimentação e hábitos desses animais. “É um trabalho importante e involuntário das antas. É claro que a área de desmatamento da Amazônia são grandes, mas numa área com pouca degradação veríamos ainda mais a importância das antas”, explica Lucas Paolucci.

Para ele, as antas não são vistas com preconceito, “mas desempenham este papel crucial para arrumar a bagunça que a gente tem feito no meio ambiente”. Lucas Paolucci afirma que o estudo traz “mais um motivo para preservar esses animais”.