A professora Francesca Maria Mesquita / Reprodução UFLA

Você costuma se lembrar dos seus sonhos em detalhes? Mesmo nos dias em que não nos lembramos, isso não quer dizer que não sonhamos, sabia?

A professora Francesca Maria Mesquista, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), estuda os sonhos há muito tempo. Ela faz parte do Departamento de Ciências da Saúde e é formada em neurofisiologista clínica e neurologia.

De acordo com a professora, os sonhos já foram considerados mensagens de deuses, sinais de bons ou maus presságios, dentre outras relações mágicas.

Mas, no início do século XX, a partir das teorias do psicanalista Sigmund Freud, os sonhos começaram a ser estudados como representação simbólica de desejos reprimidos pela mente.

“Além de todos os mistérios relacionados aos significados, muito ainda permanece desconhecido quanto às estruturas cerebrais responsáveis pela geração dos sonhos”, ressalta a professora.

Por que algumas pessoas se lembram dos sonhos e outras não?

Os sonhos costumam acontecer na fase de sono profundo conhecida como REM (do inglês Rapid Eye Movement). Durante esta fase, a atividade cerebral é mais rápida, com episódios de movimentos oculares.

Em um indivíduo saudável, o sono REM se alterna com períodos de sono mais leve, de 4 a 6 ciclos ao longo de uma noite.

O momento em que a pessoa desperta parece estar relacionado ao fato de se lembrar ou não do sonho, uma vez que sua ocorrência predomina na fase REM. Ou seja, lembramos do sonho quando acordamos no meio dele!

Além das regiões encefálicas relacionadas à geração do sono REM, o córtex pré-frontal (PFC), que está ligado ao controle de emoções e comportamentos, e as regiões parietal e occipital, responsáveis pelas sensações e pelo processamento de informação visual, respectivamente, estão ligados à geração dos sonhos.

“Lesões nessas áreas poderiam interferir na ocorrência dos sonhos. Mas, até então, todas as pessoas sonham”, explica a neurologista.

Uma boa noite de sono é fundamental para a saúde. Bons sonhos, sempre! Imagem meramente ilustrativa via Pixabay.

Pessoas cegas sonham?

Sim! Relatos sobre os sonhos em indivíduos que nasceram cegos mostram que eles vivenciam, durante o sono, experiências sensoriais que fazem parte de sua vida, como os sons, o cheiro e o toque.

Mas aqueles que perderam a visão ao longo da vida e que já possuem um conjunto de memórias visuais, podem, sim, percebê-las nos sonhos.

Confira abaixo o vídeo produzido pelo Departamento de Divulgação Científica da UFLA sobre o tema:

 

Com informações da Assessoria de Comunicação da UFLA.