Já imaginou um bicho preguiça do tamanho de um boi? Pois foi esta a descoberta de uma equipe de pesquisadores ao encontrarem os fósseis de uma espécie extinta de preguiça gigante que teria vivido entre os estados de Minas Gerais e a Região Amazônica há cerca de 20 mil anos!

preguiça gigante

Ilustração de como seria a nova espécie de preguiça gigante descoberta por pesquisador de museu mineiro. — Foto: Cástor Cartelle/Museu de Ciências Naturais PUC Minas/Divulgação

Incrível, né? Um dos pesquisadores envolvidos nesta descoberta importante é o professor Cástor Cartelle Guerra, líder da equipe do equipe do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas. Ele conta que existem registros de outras preguiças gigantes em um livro de 1840, mas que esta nova espécie se diferencia por ter vivido aqui pertinho de nós. 

“A importância desta espécie [Glossotherium phoenesis] está no fato de ser uma forma intertropical. As outras foram descobertas em habitats mais frios. É uma espécie bem nossa”, definiu Cartelle.

O que torna a descoberta ainda mais interessante é a forma como ela se deslocou do sul para o norte da América do Sul, sem chegar aos ambientes mais frio como os Andes.

“Essa descoberta mostra a adaptação de espécies pelos trópicos. Com base nos fósseis encontrados, muito provavelmente esse animal vivia em São Paulo e subiu para Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Pernambuco e Paraíba, e foi até a Venezuela, sem ultrapassar os Andes. Essa espécie é importante para a ciência porque amplia o conhecimento de algo tão peculiar na América do Sul, que são as preguiças, que têm origem sul-americana, mas migraram para o norte”

Os pesquisadores notaram duas características específicas no esqueleto desta nova espécie.

“Um cavalo e uma égua você não diferencia pelo esqueleto, nem um boi de uma vaca. Aqui, nós detectamos diferenças nos dois crânios, de tal maneira que, pelo esqueleto, dá para perceber se é macho ou fêmea.  A segunda é a presença de ossinhos dentro da pele, que representa uma herança de antepassados como o tatu”, explicou o professor.

Dessa nova espécie, foram encontrados cerca de 200 fósseis, o que, segundo o professor, é um número bastante considerável e raro de se achar em uma mesma região, nesse caso, a intertropical, em maior número no Estado da Bahia.

Ossos da preguiça gigante

Cerca de 200 fósseis permitiram que nova espécie de preguiça gigante fosse identificada por pesquisadores. — Foto: Raphael Calixto/PUC Minas/Divulgação

A preguiça-gigante recebeu o nome de Glossotherium phoenesis, em referência ao pássaro fênix, uma homenagem às pessoas que contribuíram para a recuperação do Museu da PUC Minas, após o incêndio que praticamente o destruiu ,em 2013.

O estudo que levou à definição da nova espécie levou mais de 20 anos para ser concluído e foi publicado em uma importante revista científica neste mês de abril.

Com esse achado, a equipe do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas chega a seu décimo holótipo, ou seja, descrição original de uma espécie, que serve como referência para as novas que forem encontradas posteriormente.

“A razão de nos dedicarmos tanto é para dar a conhecer essa riqueza do passado. Isso é o principal. É descrever uma espécie que ninguém conhecia e que andou por aqui enriquecendo nossa fauna esplendorosa”, reforça o professor da Universidade.

Conheça mais sobre o bicho preguiça

O bicho-preguiça (ou somente preguiça) é um animal mamífero simpático, que tem hábitos muito curiosos. Ele tem este nome  por ter o seu metabolismo muito lento, podendo levar até uma semana para processar sua comida e por ser um animal de movimentos muito vagarosos, dando a impressão de que não quer sair do lugar.

Pertence à mesma ordem de tamanduás e tatus. Existe o bicho preguiça com três dedos e também com dois dedos, porém todos eles possuem garras muito longas e próprias para que a preguiça possa se dependurar nos galhos de arvores, com as costas para baixo.

Tem pelos longos, habita a copa das árvores das florestas tropicais e pode ser encontrada da América Central até o norte da Argentina. As preguiças que vivem na Mata Atlântica se alimentam de frutos da embaúba que por isso passou a ser conhecido por arvore da preguiça.

A preguiça pode chegar até pouco mais de dois metros (macho adulto), sendo seus braços e pernas os maiores membros de seu corpo. Dorme cerca de 14 horas por dia pendurado nas árvores, o que facilita a sua digestão.

Quando adulto o animal costuma pesar de 3,5 kg a 6 kg, seu pelo em geral é cinza com traços marrom ferrugem ou brancos e podem ter manchas negras ou claras. A preguiça é uma excelente nadadora contrastando com sua lentidão em terra.

Quando da reprodução dá somente um filhote e é a fêmea que cuida dele, o macho não tem nenhuma participação nesse processo. Como raramente desce para o chão, quase todas as suas atividades são feitas na copa das arvores e a reprodução também. O normal é que o bicho preguiça saia das árvores de sete em sete dias somente para fazer as necessidades fisiológicas. Tem na onça pintada seu principal predador.

Fonte: animais.culturamix.com 

Simpática preguiça, sorrindo para as câmeras.

 

Espécies de Bicho Preguiça por Família

Família Bradypodidae – preguiças-de-três-dedos

Família Megalonychidae – preguiças-de-dois-dedos

Família Megatheriidae – Bicho preguiça gigante extinto

Megatheriidae

 

 

 

 

 

 

 

 

Família Mylodontidae – Bicho preguiça gigante extinto

 

Mylodontidae

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Família Nothrotheriidae – Bicho preguiça gigante extinto

Família Nothrotheriidae