Não é preciso ser super-herói para salvar vidas. Vivos ou falecidos, doadores de partes de seu próprio corpo podem ajudar milhares e milhares de brasileiros, que aguardam, na fila, para receber transplantes de órgãos ou tecidos

A gente conversou com o professor Agnaldo Soares Lima, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, que tem muitos anos de experiência em cirurgias desse tipo e acredita que mais pessoas precisam saber como é importante doar.

“Sem os medos e preconceitos que nós, adultos, temos, tudo fica mais fácil. O transplante de órgãos nada mais é do que você tirar um órgão que está com defeito e pôr outro no lugar”, explica.

Depois de morar e estudar na França, durante a década de 1990, o professor ajudou a implantar novos tipos de cirurgia no Hospital das Clínicas da UFMG, onde o primeiro transplante de fígado foi feito, em setembro de 1994.

Muitos adultos e crianças podem precisar de novos órgãos, já que os problemas de saúde não aparecem só por “mau uso” ou envelhecimento do corpo: “Existem doenças genéticas e várias condições clínicas que levam à necessidade de transplante, sem que a pessoa tenha culpa”.

Segundo Agnaldo, o transplante é a opção mais avançada para tratamento de uma doença, depois que vários outras tentativas foram realizados.

Vida para todos

A doação de órgãos de pessoas falecidas é feita, apenas, em situação muito específica:

“Só podemos aproveitar os órgãos quando acontece o que nós, médicos, chamamos de ‘morte encefálica’. É quando o cérebro morre, está completamente destruído, sem chance de a pessoa sentir, pensar, respirar… Às vezes, o paciente só fica com o coração batendo porque está ligado a aparelhos que o fazem funcionar artificialmente, mas isso dura pouco tempo”, conta o professor Agnaldo.

Ah! Ele também lembra algo bem importante sobre o Brasil, chamado “Sistema Nacional de Transplantes”, que é bastante seguro e confiável.

“Não há discriminação de cor, classe, raça ou gênero. A fila é organizada de acordo com a oferta de órgãos e a gravidade dos casos que aguardam a doação. Os transplantes são priorizados segundo a localização, pois o tempo é muito curto para a ação das equipes de saúde”, explica.

Contra o tempo!

No curto período em que se confirma que o cérebro do paciente está destruído, mas o corpo ainda se mostra estável para aproveitar os órgãos para transplante, os médicos precisam conversar com a família e verificar se concordam com a doação. “Assim, poderemos ajudar a salvar a vida de outras pessoas”, completa Agnaldo.