Maria de Fátima Starling começou a se interessar por plantas na infância, ao ver o pai cuidar da roça da família em Rio Casca, na Zona da Mata de Minas Gerais. “Eu ajudava na poda dos pés de melão e melancia. Ele não tinha formação, mas me ensinou que as flores tinham sexo, masculino e feminino”, conta. Hoje, aos 64 anos, ela é professora do curso de Ciências Biológicas da PUC-Minas e curadora do herbário do Museu de Ciências Naturais da instituição.

Na manhã do próximo sábado, 20, Maria de Fátima vai falar sobre botânica para crianças de 8 a 12 anos. A ideia é mostrar como é feita a coleta e a identificação de plantas para montar uma coleção científica. A atividade faz parte do projeto Menina Faz Ciência, que nasceu com a proposta de fortalecer a importância do papel feminino na construção do conhecimento.

As meninas também poderão vivenciar a prática do laboratório, com direito a usar luvas e jaleco para uma atividade sobre genética. “Elas vão aprender, por exemplo, a extrair o DNA de um tecido animal e sobre o funcionamento do teste de paternidade”, adianta a professora Gisele Dantas, do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Vertebrados da PUC Minas.

ANFÍBIOS E MAMÍFEROS

As atividades continuam no dia 27 de outubro, quando as participantes poderão observar de perto animais como sapos, rãs e morcegos. “A ideia é desmistificar o medo que as crianças têm desses animais”, revela Luciana Nascimento, curadora da coleção de anfíbios e répteis do Museu de Ciências Naturais e idealizadora do projeto Menina Faz Ciência. Ela conta que a ideia de fazer uma programação exclusivamente voltada para meninas foi inspirada na campanha Outubro Rosa, de prevenção ao câncer de mama e de promoção de iniciativas em prol da saúde física e mental da mulher. No futuro, a programação deve ser expandida para os meninos.

Quem vai falar sobre os morcegos, além de outros pequenos mamíferos, como os marsupiais, é Sonia Aparecida Talamoni, também professora da pós-graduação em Biologia de Vertebrados – o programa organiza o evento em parceria com o Museu.

“Eu pretendo chamar a atenção para as várias pesquisadoras que trabalham nesta área no Brasil. Elas vão a campo, coletam morcegos à noite, não têm medo dos bichos”, enfatiza.

As inscrições para as atividades podem ser feitas pelo telefone (31) 3319-4982. As vagas são limitadas e a taxa é de R$ 40 (o valor inclui o material que será usado nas atividades ).