Você é uma pessoa multi-telas, que fica ligadinha na televisão, computador, tablets e smartphones ao mesmo tempo? Passa boa parte do seu dia na frente desses dispositivos? Leva o celular para cama à noite?

Se a resposta é sim, saiba que o uso desses aparelhos pode atrapalhar você a dormir. Biólogos e neurocientistas da Universidade de Manchester (EUA) comprovaram que algumas luzes emitidas pelas telas podem deixar nosso corpo mais “aceso”, o que atrasa a hora do descanso.

A grande vilã do sono, segundo os pesquisadores, é a luz de cor ciano – uma combinação entre azul e verde. Níveis mais altos de ciano mantêm as pessoas acordadas, enquanto a redução desses tons está associada à sonolência.

Testes e descobertas

O objetivo dos cientistas na pesquisa era medir o impacto das fontes de luz artificial nas pessoas e, claro, apontar soluções para possíveis problemas. Eles comprovaram que respondemos de forma subconsciente à emissão dessas luzes, que acabam nos estimulando ao estado de alerta.

Foto: Fotojornalismo UFG (Átila)/ Flickr

Foto: Fotojornalismo UFG (Átila)/ Flickr

Nos testes, 11 pessoas foram expostas às telas entre 18h e 23h. Os cientistas monitoraram, a cada trinta minutos, estado de sonolência de todos os participantes. Mediram também as oscilações de “hormônios do sono” nos indivíduos. Esses hormônios são, geralmente, produzidos quando nosso corpo “detecta” que é noite.

A tela convencional é composta de cores primárias verde, azul e vermelho, que combinam com células fotorreceptoras em nossos olhos. A mistura e sobreposição dessas luzes é que dão o colorido das imagens.

A equipe da Universidade de Manchester criou um filtro de cor ciano para colocar nas telas vistas pelos participantes. Quando esse filtro com luz ciano foi aceso, as pessoas se sentiram mais alertas e produziram poucos “hormônios do sono”. Quando foi desligado, disseram estar mais sonolentas e liberaram bastante “hormônio do sono”.

O mais interessante é que as pessoas não sabiam quando estava ligado ou desligado o filtro com luz ciano. As mudanças de cor não são percebidas, por isso os cientistas falam em respostas subconscientes à emissão de luz. Isso quer dizer que o corpo reagiu à alteração mesmo não sendo visível a olho nu.

As cores da imagem ficam inalteradas com ou sem a presença da camada ciano. À esquerda há uma simulação de conjunto de cores sem ciano. À direita inclui-se o ciano. Imagem: Assessoria de imprensa da Universidade de Manchester/Dvulgação

As cores da imagem ficam inalteradas com ou sem a presença da camada ciano. À esquerda há uma simulação de conjunto de cores sem ciano. À direita inclui-se o ciano. Foto: Assessoria de imprensa da Universidade de Manchester/Divulgação

Para que serve este estudo?

Diante das evidências científicas, pesquisadores querem produzir dispositivos para telas que possam aumentar ou diminuir os níveis de emissão das cores que nos mantêm acesos.  Pesquisadores dizem que é possível conservar uma perfeita coloração das telas usando ou não o ciano. Os cientistas sugerem que sejam feitas telas em versões diferentes:

1) tela que tenha ciano e serviria para manter pessoas alertas trabalhando à noite;

2) tela que não tenha ciano e evitaria o atraso do sono em quem não precisa se manter acordado.

Propuseram também uma tela inteligente, que chamaram de “melanópica”. Ela permitiria o controle do estado de alerta, mudando a quantidade de luz ciano nas imagens e mantendo as cores verdadeiras.

FONTES DAS INFORMAÇÕES: Exploiting metamerism to regulate the impact of a visual display on alertness and melatonin suppression independent of visual appearancePhone insomniac? Sleepy smart screen could be the answerCyan colour hidden ingredient in sleep