Junho é mês de festas juninas e, dia 24, celebra-se o dia de São João. Dia 13, foi dia de Santo Antônio. Muita fogueira, pipoca, canjica e brincadeiras, além das quadrilhas nas escolas. Mas você já parou para pensar a origem destas datas e por que celebramos as festas no mês de Junho?

O começo

Esta história toda teve início há muito tempo, antes do nascimento de Cristo! No dia 21 de junho, acontece o dia mais comprido e a noite mais curta do ano, no hemisfério norte, marcando o início do verão (conhecido como solstício de verão pelos astrônomos).

Esta data era comemorada, naqueles tempos, com rituais para promover a fertilidade do solo, o crescimento da vegetação e a fartura das colheiras. As fogueiras, naquela época, eram acesas para espantar os espíritos ruins que poderiam prejudicar as lavouras e a fertilidade das mulheres.

Essas celebrações, no entanto, não era bem vistas pela igreja católica. Eram festas pagãs ou seja, não reconhecidas pelas religiões tradicionais.

Para incorporar as comemorações e festas às tradições católicas, decidiu-se celebrar, na mesma época, os santos desta religião: São João Batista (dia 24) , Santo Antônio (no dia 13) e São Pedro (no dia 29). Estas festas passaram a se chamar Festas Joaninas, em homenagem a São João, hoje conhecidas como Festas Juninas.

As fogueiras

E as fogueiras? Como justificar sua existência? Pois é, como a igreja católica não aceitava a versão de espantar os espíritos, elas passaram a representar a história de João Batista.

Segundo a religião, a fogueira foi utilizada pela mãe de São João, Isabel, para dar a notícia do nascimento do filho à sua prima Maria. E esta passou a ser a explicação católica para a fogueira de São João. Interessante, né?

O grupo de pesquisadores e contadores de histórias da Paraíba, o Contação da Rua, realizou este vídeo para contar um pouco desta história.

No Brasil

As festas juninas chegaram ao Brasil com a vinda dos portugueses. Nossos índios também tinham suas festas relacionadas às colheitas no mês de junho. Só que não era no solstício de verão e, sim, no solstício de inverno, que acontece aqui, no Hemisfério Sul, no meio do ano.

Assim como aconteceu no norte, as festas católicas trazidas da Europa, se incorporaram às celebrações indígenas, formando a tradição que conhecemos até hoje. 

As quadrilhas

As quadrilhas brasileiras tiveram sua origem na França, onde aconteciam a quadrille, uma dança que se originou nas áreas rurais da Inglaterra e foi adotada pelos franceses no século XVIII. Ao longo do século XIX, a quadrilha se popularizou no Brasil, misturando-se com as danças brasileiras que já existiam e se adequando à cultura local.

Desde esta época, surgiram várias formas diferentes de quadrilha:

  • “Quadrilha Caipira” (São Paulo)
  • “Saruê”, corruptela do termo francês “soirée”, “noite” (Brasil Central)
  • “Baile Sifilítico” (Bahia)
  • “Mana-Chica” (Rio de Janeiro)
  • “Quadrilha” (Sergipe)
  • “Quadrilha Matuta”

Balões e fogos de artifício

Os balões também eram uma tradição de Portugal, trazida para o Brasil pelos portugueses. Hoje, eles são proibidos no Brasil e em Portugal,  por provocarem muitas queimadas.

Já os fogos de artifício continuam liberados, aqui e em Portugal. Segundo a tradição popular, os fogos de artifício servem para despertar São João Batista. Em Portugal, pequenos papéis com desejos e pedidos são atados ao balão.

Alguns fogos utilizados durante as festas juninas são conhecidos como “traque”, “chilene”, “cordão”, “cabeção-de-nego”, “cartucho”, “treme-terra”, “rojão”, “buscapé”, “cobrinha”, “espadas-de-fogo”, “chuvinha”, “pimentinha”, “bufa-de-vei” , “biribinha” e “bombinha”.

Mastro de São João

1_maio_mastro-300x290Em Portugal, o mastro de São João é conhecido como mastro dos Santos Populares e, segundo a tradição católica, é erguido para celebrar os três santos ligados às festividades. No Brasil, costuma-se amarrar três bandeirinhas, no topo, simbolizando os santos.

De acordo com pesquisadores, o levantamento do mastro junino se originou no costume europeu de levantar o “mastro de maio”, ou a árvore de maio.

“O maior São João do mundo”

Segundo o professor Severino Lucena Filho, da Universidade Federal da Paraíba, naquele estado é comemorado o chamado “Maior São João do Mundo”. Esta festa, que dura o mês de junho inteiro, começou em 1980, como uma estratégia para promover o turismo cultural na cidade de Campina Grande, na Paraíba.

São quase 500 eventos, em seis palcos, cerca de 350 barraquinhas e 700 horas de forró! O evento recebe, anualmente, milhares de pessoas durante os 30 dias de festa.

“Maior e melhor São João do Mundo”

Outra cidade famosa por suas comemorações juninas é Caruaru, em Pernambuco. Ao longo de toda a cidade, as pessoas se deparam com desfiles, apresentações e concursos de quadrilhas matutas e estilizadas, shows pirotécnicos, forró pé-de-serra, forró estilizado, bacamarteiros, baião, xaxado, mazurca, blocos juninos, apresentações de cordelistas, repentistas e emboladores, bandas de pífanos e exposições de artes, entre outros.

Arraial de Belô

Não tão grande quanto as festas nordestinas, Belo Horizonte realiza, neste ano de 2018, a 40a edição do Arraial de Belo Horizonte, com  diversas festas e quermesses, circuitos culinários, concursos gastronômicos, oficinas e a presença de grandes chefs mineiros. Confira a programação aqui.

*Com informações do Ministério da Cultura