Com quantos anos você começou a falar? Já parou para pensar no mundo de possibilidades comunicativas que se abriu no dia em que você pronunciou as primeiras palavras?

Mamãe, papai, vovó são algumas das primeiras palavras que saem das bocas dos bebês… Depois vamos ampliando nosso vocabulário e nossos modos de falar vão se adaptando às situações que vivemos.

Repare bem: você não conversa com seus amigos da escola do mesmo jeito que fala com sua avó ou com seus professores, certo?

E quando a sua mãe fala “Filha, vem cá!“, você sabe se está encrencada só pelo tom de voz que ela usa, concorda? 😉

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estudam a nossa fala nesses diferentes momentos e concluíram que a fala varia conforme a ação ou o comportamento que a ela serve de contexto.

Por exemplo: um professor que dá uma aula, um motorista que discute no trânsito, uma criança que brinca se expressam de modos diferentes.

“Quando muda a ação, muda radicalmente a estrutura da fala. Não depende tanto se a pessoa é jovem ou idosa, mais ou menos culta, se vem do Norte ou do Sul do país”, afirma a professora Heliana Mello, coordenadora, com o professor Tommaso Raso, do Laboratório de Estudos Empíricos e Experimentais da Linguagem (Leel), vinculado à Faculdade de Letras da UFMG.

Fala espontânea

Sobre o que será que estão falando? (Foto de Sharron via flickr 2.0)

Sobre o que será que estão falando? (Foto de Sharron via flickr 2.0)

A equipe do laboratório estuda a fala espontânea, ou seja, aquela que ocorre no nosso dia a dia, sem intervenções ou direcionamentos provocados pela pesquisa.

Essas falas são recolhidas em diferentes situações comunicativas, com falantes distintos e variadas formas de interação.

Para este trabalho, são cerca de 20 pesquisadores dedicados, entre professores, doutorandos, mestrandos e bolsistas de iniciação científica. Desde 2007, eles fazem coleta e tratamento de dados para a formação do corpus, o conjunto de “falas” que é analisado e estudado para que os cientistas tirem conclusões que vão resultar em um novo conhecimento.

Os pesquisadores têm à sua disposição softwares – como o WinPitch e o Praat – que fazem análise superfina dos diferentes aspectos da fala. Essas novas tecnologias possibilitaram que desenvolvessem procedimentos de coleta que antes eram quase impossíveis.

Hoje, são feitas gravações de altíssima fidelidade, com microfones de lapela e transmissão de sinais via rádio que conferem naturalidade e mobilidade ao registro de situações cotidianas.

Tela do software WinPitch mostra o comportamento da fala. Reprodução.

Tela do software WinPitch mostra o comportamento da fala. Reprodução.

Silêncio também diz muito!

O estudo da fala revela até mesmo a presença do silêncio.

A cultura brasileira é marcada por pouco silêncio, diferentemente do que ocorre nos países nórdicos.

O silêncio é menos tolerado nas conversas telefônicas, por exemplo, que numa partida de futebol. Em situações como essa, a comunicação pode ser mantida por meio de ações não verbais, e o silêncio é mais tolerado.

Com informações do Boletim UFMG.