Talvez você já conheça este bicho chamado minhocuçu. É muito comum em Minas Gerais e usado como isca para atrair peixes. É uma minhoca gigante vendida por ambulantes nas regiões onde turistas e moradores gostam de pescar.

Em nosso estado, é usual a venda do minhocuçu na estrada que liga Belo Horizonte a Três Marias. Quem visita o circuito de municípios banhados pelo imenso Lago de Três Marias e pelas águas do Rio São Francisco, na Região Central de Minas, sempre avista um vendedor de minhocuçu.

A venda de animais silvestre sem autorização é ilegal. Mesmo assim, muitas pessoas extraem o minhocuçu e comercializam para pescadores amadores desde 1930. Os bichinhos retirados em terras mineiras são também demandando em outros estados. A extração ocorre principalmente no entorno das cidades de Caetanópolis, Curvelo e Paraopeba.

Foto: Acervo Projeto Minhocuçu

Foto: Acervo Projeto Minhocuçu

Conservação

Pensando em preservar este bicho, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) criaram, em 2004, o Projeto Minhocuçu, que visa à conservação e uso sustentável do animal. O programa é coordenado pela professora Maria Auxiliadora Drumond.

Foto: Maria Auxiliadora Drumond /Projeto Minhocuçu

Foto: Maria Auxiliadora Drumond /Projeto Minhocuçu

Seria complicado uma proibição radical da venda de minhocuçu, porque há famílias e comunidade que vivem dessa atividade. No entanto, ideia sempre foi conscientizar as pessoas sobre cuidados nessa retirada da espécie.

Segundo os cientistas, inúmeros conflitos sobre a captura, acondicionamento,  comércio de fauna silvestre e invasão de propriedades para a extração envolvem a atividade exploratória do minhocuçu. Tentativas de proibir a atividade, somente intensificaram os problemas. A verdade é que o minhocuçu é importante fonte de renda para muita gente.

Manejo adaptativo

As pesquisas dos cientistas da UFMG apontaram que existem formas sustentáveis de manejo do animal. Os minhoqueiros precisariam de autorização do Ibama para trabalhar. Além disso, não poderiam coletar o animal em período reprodutivo, capturar filhotes e precisariam fazer um rodízio de áreas para a retirada.

Algumas dessas medidas foram implantadas, em conjunto com a comunidade, durante os anos de atuação do projeto. Minhoqueiros foram regularizados e, assim, o minhocuçu pode ser extraído sem risco de sumir da natureza.

Parte desse projeto de mobilização social e ao monitoramento ambiental do minhocuçu foi fomentando pela FAPEMIG. Desde 2014, os cientistas além de cuidarem da conscientização da extração, monitoram os impactos das mudanças climáticas para a vida do minhocuçu.

Foto: Acervo Projeto Minhocuçu

Foto: Acervo Projeto Minhocuçu

Sobre a espécie

O minhocuçu de nome científico Rhinodrilus alatus vive no ambiente de cerrado. Além das cidades já citadas como ponto de extração, também já foram encontrados em Araçaí, Baldim, Cordisburgo, Corinto, Felixlândia, Inhaúma Lassance, Maravilhas, Morro da Garça, Papagaio, Pirapora, Pompéu, Prudente de Morais, Sete Lagoas e Três Marias.

A espécie mede cerca de 60 centímetros de comprimento e 1,2 centímetros de diâmetro.  Vive em diferentes tipos de solo do cerrado como áreas naturais ou regiões de pastagem e plantações de eucalipto.

O minhocuçu se reproduz, geralmente, na estação chuvosa, entre outubro e fevereiro. O animal deposita casulos após o acasalamento e cada uma dessas “moradias” abriga dois ou três filhotes.  Entre os meses de março e setembro, o bicho fica quietinho uma câmara subterrânea de onde sai, de vez em quando, para dar o ar da graça na superfície.