Para entender por que o mês de fevereiro é sempre o mais curto do ano, precisamos voltar centenas e centenas de anos na História, até a Roma Antiga.

A maioria dos países do mundo utiliza, atualmente, o Calendário Gregoriano, promulgado em 1582 pelo Papa Gregório XIII.

Esse documento é o que define que o mês de fevereiro tem 28 dias, e a cada quatro anos, 29, o que chamamos de ano bissexto.

Mas essa redução dos dias do mês de fevereiro é explicada por uma sequência de ajustes feitos muito antes do Calendário Gregoriano, que datam desde os últimos tempos da monarquia romana.

Primeira página da bula papal que definiu o Calendário Gregoriano. Foto: Domínio Público / Wikimedia Commons

Primeira página da bula papal que definiu o Calendário Gregoriano. Foto: Domínio Público / Wikimedia Commons

Astrônomos da Antiguidade

O calendário começou a tomar forma quando os astrônomos antigos começaram a ter noção de equinócios e solstícios, ou seja, das estações do ano.

Observando o céu e as estrelas, eles chegaram a conclusões como o ano solar, que dura aproximadamente 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 47 segundos.

Além disso, eles observavam as fases da lua: nova, crescente, cheia e minguante. Cada uma durava pouco mais de 7 dias e o ciclo completo dura 29,5 dias, o que deu origem ao mês solar.

Daí, os romanos adotaram um calendário baseado nas mudanças de fase da Lua, com 355 dias distribuídos em 12 meses. O ano começava em março e terminava em fevereiro (do ano seguinte), sendo que os meses tinham 29 ou 30 dias.

Fevereiro, que era considerado de mau agouro por ter seu nome derivado de Februus, deus etrusco da morte, ficou com apenas 28 dias.

Mas, durante o Império, em 46 a.C., Júlio César fez uma mudança significativa no calendário romano: moveu janeiro e fevereiro para o começo do ano e adicionou 10 dias ao ano para chegar ao total de 365 dias.

O mês Quintilis passou a se chamar Julius (Julho) e ganhou um dia extra, 31, em homenagem ao então imperador. Fevereiro ficou com 29 dias. Esse arranjo ficou conhecido como Calendário Juliano.

Três décadas depois, em 8 a.C., o nome do oitavo mês, Sextilis, foi mudado para Augustus (Agosto), em honra ao então imperador César Augusto. Mas Augustus tinha só 30 dias, enquanto Julho tinha 31. O imperador determinou, então, que seu mês tivesse mais um dia, retirado de Fevereiro, que ficou com 28. Essa mudança ficou conhecida como Calendário Augustiano.

O que é o ano bissexto?

Depois de toda essa confusão de tirar dias e colocar dias em diferentes meses, os romanos se lembraram que o ano é um pouco maior do que os 365 dias do calendário (0,242 dia, para sermos exatos). Então, o Imperador César Augusto decidiu também adicionar um dia extra no ano, a cada quatro anos, para acertar essa conta.

Tempos depois, com o Calendário Gregoriano, ficou acertado que esse dia extra seria o 29 de fevereiro, a cada quatro anos.

Isso porque, se o ano dura 365,25 dias, ou 365 dias e 6 horas, 24 horas (um dia) dividido por seis horas é igual a quatro.

É por isso que o ano bissexto ocorre a cada quatro anos, exceto nos anos múltiplos de 100 que não são múltiplos de 400.  O último ano bissexto foi 2016 e o próximo será 2020.

Com informações da EBC.