A ciência às vezes dá um jeitinho de transformar um fato triste em motivação para estudar. Uma onça-parda que morreu este mês na cidade de Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte, agora vai ajudar cientistas em pesquisas na PUC Minas.

Biólogos usam uma técnica para preservar o corpo do animal, que vai entrar para a coleção do Museu de Ciências Naturais, na capital. Você deve estar se perguntado: como isso é possível? A gente vai explicar…

Foto: Julio Leite Photos/ Wikimedia Commons

Imagem ilustrativa. Foto: Julio Leite Photos/ Wikimedia Commons

No último dia 21, a onça-parda entrou em uma empresa de produtos siderúrgicos. O vigilante que tomava conta do galpão levou um susto e matou o animal. A onça-parda foi encaminhada pela Companhia de Polícia Militar de Meio Ambiente ao Museu de Ciências Naturais.

O museu já recebeu outros animais que morreram na Grande BH. Em 2013, um lobo-guará passou a fazer parte do acervo. O famoso gorila Idi Amin, que viveu no Zoológico de BH, e morreu em março de 2012, também teve sua história eternizada no museu por meio da taxidermia.

Taxidermia?

É a técnica de preservação de animais, conhecida popularmente como empalhamento. Teve origem nos processos de mumificação egípcia e se tornou um dos recursos utilizados para conservação em museus didáticos e de pesquisa.

A taxidermia retrata os animais, antes vistos somente na natureza, livros e zoológicos, por isso ajuda cientistas e estudantes a entender os bichos. O nome taxidermia significa “dar forma à pele”.

Existem maneiras diferentes de taxidermizar. Em alguns casos, o couro do animal é retirado e usado para “vestir” um manequim de poliuretano, parecido com esses que a gente vê nas vitrines de lojas. Produtos químicos são usados para conservar esta pele.

Os especialistas fazem um trabalho de reconstrução do animal, quase uma escultura. Eles criam de forma artificial olhos, nariz, orelhas, cauda e boca.

Miguel Rangel Jr/ Flickr

Imagem ilustrativa. Miguel Rangel Jr/ Flickr

Onça-parda

Conhecida também no Brasil por suçuarana e leão-baio. É um animal que vive em florestas tropicais, caatinga, cerrado, pantanal, desertos e montanhas. Uma onça parda adulta tem cerca de 80 quilos.

O pelo é geralmente em geral bege-rosado, pode ser cinza, marrom ou cor-de-ferrugem. Tem garras longas e entre os felinos é um dos melhores saltadores, podendo pular de lugares com até 15 metros de altura.

Segundo Leandro de Oliveira Marques, cientista do museu, a onça parda é um importante exemplar da fauna brasileira e todas as suas partes e órgãos estão sendo aproveitados para pesquisas e análises científicas dos biólogos e alunos de Ciências Biológicas.

Este é o primeiro exemplar da espécie Puma Concolor na coleção do museu. Após ser taxidermizada, a onça, que é ameaçada de extinção, vai integrar o acervo da coleção científica de Mastozoologia, ramo da zoologia que estuda mamíferos. A previsão é que até o final do ano todo o processo esteja finalizado, assim ela estará disponível aos visitantes.