No eclipse de ontem nos Estados Unidos, cientistas estavam interessados em saber como os animais reagiriam durante o apagão solar.

Registros históricos de outros eclipses mostraram relatos de aves que ficaram em silêncio e de abelhas que retornaram às suas colmeias como se fosse noite.

No entanto, esses estudos não eram suficientes para comprovar mudanças significativas em grande volume.

Por isso, cientistas da Academia de Ciências da Califórnia, em São Francisco, decidiram pedir ajuda aos chamados “cientistas cidadãos”, pessoas que, mesmo não sendo especialistas, são curiosas e dispostas a ajudar os pesquisadores.

Existem vários projetos como este ao redor do mundo. No Brasil, eles também começam a ganhar espaço. Algumas instituições já começaram a perceber que podem se beneficiar da participação popular para mapear espécies animais ou para coletar dados meteorológicos em muitos lugares ao mesmo tempo.

Porém, é na astronomia que atuam a maior parte dos cidadãos cientistas brasileiros.

Também existem alguns projetos, que incentivam a participação de crianças. Em geral, no entanto, o melhor é você estar acompanhado de um adulto para contribuir de acordo com as regras.

Em Jequié, na Bahia, o estudante Lucas Carneiro,  de 12 anos, trabalha como cidadão cientista e já deu até  palestra sobre o Projeto Cidadão Cientista da SAVE Brasil para seus colegas de escola.

De acordo com o Guia Birding Brasil, Minas Gerais tem registradas cerca de 780 espécies de aves, enquanto todo o continente europeu apresenta aproximadamente 860. Em Belo Horizonte, conforme dados da Ong Ecoavis – Ecologia e Observação de Aves, podem ser observadas cerca de 350 diferentes espécies.

Só no Parque das Mangabeiras, um dos mais visitados da Região Centro-Sul, já foram avistadas aproximadamente 160 espécies, entre elas jacu (Penelope obscura) e saracura (Aramides saracura).

Outro local de destaque para a observação na capital mineira é a Lagoa da Pampulha. Ela atrai diversas aves migratórias, tais como o maçarico-solitário (Tringa solitaria) e o maçarico-de-perna-amarela (Tringa flavipes), que se reproduzem na América do Norte.

Projetos brasileiros

SAVE Brasil

Projeto Cidadão Cientista foi criado 2014 pela SAVE Brasil, visando promover a observação e o monitoramento de aves como ferramenta de conservação das espécies e seus habitats através do envolvimento da sociedade seguindo o conceito de ciência cidadã.

Até  2016, a SAVE Brasil promoveu 32 campanhas na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, com a participação de mais de 150 pessoas. Desde 2004, o trabalho da instituição já contribuiu para a proteção de uma área equivalente a 60 mil campos de futebol de Mata Atlântica, por meio da articulação e apoio para a criação de UCs.

Sonear

Coordenado pelos astrônomos amadores Cristóvao Jacques, João Ribeiro e Eduardo Pimentel, que mapeia asteroides próximos à Terra.

Agrisupport

Criado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do governo Federal, busca evitar que eventos extremos, causados pelas mudanças climáticas, causem prejuízos a agricultores do semiárido.

CNAA

Censo Nacional de Aves Aquáticas, é realizado semestralmente, por ornitólogos e observadores de aves. O CNAA tem como objetivos aumentar o conhecimento sobre as zonas úmidas, monitorar as tendências populacionais das aves aquáticas e identificar áreas prioritárias para conservação

IPAVE

Inventário Participativo das Aves do Paraná, promovido desde 2012 pela Hori Consultoria Ambiental. O objetivo do IPAVE é coletar informações sobre as aves do Paraná, durante um período pré-estabelecido através da participação de ornitólogos, observadores de aves e fotógrafos

Arraias Mantas

Você não precisa ser um mergulhador para aprender sobre as raias mantas, inclusive para aprender como registrar adequadamente uma raia manta. Todos podem assistir as videoaulas, fazer a prova ao final e, caso aprovados com 70% de acertos, receber o certificado de Cidadão Cientista, mesmo que ainda não sejam mergulhadores.

Aves de rapina

Que tal contribuir com o conhecimento e a conservação das aves de nosso país? Faça listas de espécies, anote as aves que registrou em determinado local e publique em sites especializados como o eBird ou Táxeus Brasil. Dessa forma seus dados contribuirão com programas de monitoramento e conservação de aves.

Operation Wallacea (Opwall)

Organização Inglesa que realiza expedições científicas em diversas partes do mundo. Alunos do ensino médio e universitários podem atuar como voluntários, auxiliando os cientistas nas coletas de dados.

Manual de Ciência Cidadã: 5 hábitos do observador de aves

1. OBSERVAR

Um dos primeiros passos ao encontrar uma ave é o olhar atento para perceber cada detalhe: tamanho, cores, estrias, pintas, o local onde estava e como era seu comportamento.

2. IDENTIFICAR

Com os detalhes da ave em mente é possível identificar qual é a espécie que está sendo observada. Prestando atenção primeiro no tamanho e forma geral, para descobrir a que grupo pertence, e a partir daí tentar observar cada vez mais detalhes, como cores e marcas características para chegar até a espécie.

3. REGISTRAR

Sempre que possível! O registro sonoro ou de imagem é importante para comprovar a presença da espécie em uma certa área. Identifique e registre!

4. CONTAR

Conte! A contagem de aves é muito divertida, e permite saber as espécies mais ou menos abundantes e com o tempo conhecer mais sobre suas tendências populacionais

5. COMPARTILHAR

Compartilhe seus registros pela internet e torne as suas observações públicas e permanentes! Assim, você contribui para aumentar o conhecimento sobre as aves e colabora com a sua Conservação.

Jogue para aprender

A SAVE desenvolveu um jogo virtual, que ajuda amadores a aprenderem a contar aves. Clique na imagem para acessar.

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Acesse o Manual do Cientista Cidadão.

*Foto: Citizen Scientist Network