Você já deve ter ouvido falar que o olfato humano não é muito apurado. Dizem que este sentido é mais aguçado em cachorros, camundongos, ratos, elefantes e até mesmo tubarões, ficando o homem numa classificação bem abaixo da esperada se comparado aos outros animais.

No entanto, um pesquisador americano provou recentemente, em estudo publicado na revista Science, que a história de que seres humanos têm pouca habilidade para sentido cheiros é um grande mito!

O neurocientista John P. McGann, da Universidade Rutgers (EUA), afirma em sua pesquisa que esse mito veio do século XIX, quando ainda não eram tão desenvolvidos os estudos sobre o funcionamento do cérebro em relação os cinco sentidos: visão, audição, paladar, tato e olfato.

Conforme a pesquisa de McGann, humanos têm habilidades para reconhecer muitos cheiros. É assim que funciona: durante todo o dia, células especiais dentro do nariz capturam elementos químicos do ambiente sensorial ao nosso redor, enviando sinais para uma parte do cérebro chamada bulbo olfativo.

Esse bulbo envia informações sobre os cheiros para outras partes do cérebro que trabalham juntas a fim de dar sentido ao tudo que está sendo percebido. Os aromas são associados a outros estímulos que recebemos do ambiente, por exemplo, memórias e emoções experimentadas antes.

Joseph Devon e montillon.a/ Flickr

Foto: Joseph Devon e montillon.a/ Flickr

Humanos x animais

Com base em pesquisas anteriores, acreditou-se por muito tempo que o bulbo olfativo humano era pequeno ou pouco desenvolvido e que outros animais tinham sistemas olfativos maiores para processar cheiros.

Há livros que informam a capacidade do homem em detectar cerca de 10 mil cheiros, mas segundo a pesquisa da equipe de McGann, podemos sentir milhões ou até trilhões de odores. Essa variedade se deve ao fato de que o cheiro em nosso cérebro é percebido em associação a memórias e emoções.

Arte: Andrius Repsys/ Flicrk

Arte: Andrius Repsys/ Flicrk

Dessa forma, os pesquisadores concluíram: é verdade que um cão pode cheirar muito bem porque ele tem no focinho 50 vezes mais receptores e 40 vezes mais espaços no cérebro para processar aromas que um ser humano. Mas, é verdade também que podemos cheirar uma flor tão bem quanto o cachorrinho.

Cada animal tem habilidades para sentir cheiros que são importantes para sua sobrevivência. O que importa não é a complexidade do sistema olfativo, mas sim as formas como os cheiros são organizados no cérebro.

Conforme os pesquisadores, os focos olfativos de ratos e humanos, por exemplo, diferem em tamanho, mas o número de neurônios dentro deles é bastante semelhante, o que permite boa capacidade olfativa para ambos. Não precisamos sentir mais cheiros que os ratos só porque somos muito maiores que eles!

O poder dos cheiros

A pesquisa do da equipe de McGann mostrou que 24 espécies de mamíferos têm quantidade similar de neurônios no sistema olfativo, inclusive nós humanos.

Assim como os cães, podemos seguir uma trilha de perfume, detectar um cheiro azedo desagradável em algum alimento ou descobrir que uma pessoa trabalha em uma cafeteria só pelo cheiro da roupa dela. Embora a evidência não seja sólida, alguns cientistas investigam situações em que podemos detectar medo ou estresse, saber se alguém está doente ao cheirar o suor, sangue ou urina da pessoa.

Na pesquisa, o neurocientista John P. McGann relata que o olfato humano ficou subestimado por muito tempo, mas que ele é importantíssimo para nosso bem-estar geral. É importante para apreciarmos e interagirmos com o ambiente. Nossos estados comportamentais e afetivos são influenciados pelo olfato.

Fonte das informações: Poor human olfaction is a 19th-century myth