Que as baleias são animais imensos todos nós já sabemos. Mas, como se tornaram essas gigantes? Em maio deste ano, um grupo de pesquisadores americanos publicou um estudo sobre o gigantismo das baleias, afirmando que elas atingiram o tamanho jumbo nos últimos 4,5 milhões de anos, período relativamente recente considerando toda a história evolutiva da espécie.

Isso quer dizer que nem sempre as baleias foram tão grandes. Elas ficaram assim devido a mudanças no ambiente que as permitiram comer compulsivamente. No mundo, existem cerca de 40 espécies de baleias com tamanhos e pesos diferentes.

Foto: Navin75/Flickr

Foto: Navin75/Flickr

A baleia azul, o maior animal do planeta, pode pesar até 170 toneladas. Elas comem quatro toneladas de krill por dia, o equivalente ao peso de um elefante. Quando espirra água, o jato pode atingir até 12 metros de altura.

Outro exemplo é a baleia boreal ou bowhead (cabeça de arco), que bate aproximadamente 100 toneladas na balança. Mede cerca de 14 metros de comprimento quando adulta.

Os cientistas que participaram do estudo dizem que as baleias têm uma história evolutiva interessante. Essas criaturas marinhas sugiram no planeta há 50 milhões de anos. Entre 20 e 30 milhões de anos atrás, desenvolveram uma habilidade especial na hora de comer. Elas podem engolir grandes quantidades de comida em apenas uma abocanhada.

Mesmo com essa capacidade alimentar, elas permaneceram durante milhões de anos com um tamanho moderado. Mas, de repente….buuummm! Começaram a ser observadas baleias colossais.

Foto: Arte Minas Faz Ciência sobre imagem de Ri 13/Flickr

Foto: Arte Minas Faz Ciência sobre imagem de Ri 13/Flickr

Estudo e conclusões

Participaram do estudo cientistas das universidades de Stanford e Chicago, além de especialistas do Museu Nacional de História dos EUA. Eles mediram 140 fósseis de baleias para comprovar a mudança de tamanho com o passar dos anos.

Eles observaram que o surgimento de gigantes, há 4,5 milhões de anos, coincidiu com o período em que geleiras cobriam os mares do Hemisfério Norte do planeta. A movimentação dessas grandes placas de gelo fez com que a água mais fria ficasse na superfície do mar, trazendo todo o material orgânico presente nela.

Foto: Isaac Kohane/Flickr

Foto: Isaac Kohane/Flickr

Muitos nutrientes ficaram disponíveis na superfície, o que causou uma “bagunça” na cadeia alimentar do oceano. Zooplânctons e krill se reuniram nessa superfície para sobreviver se alimentando dos nutrientes. A concentração de krill é muito chamativa, porque forma um verdadeiro banquete para as baleias.

As baleias passaram a comer uma quantidade maior de presas, o que lhes permitiu crescer. Além disso, os pesquisadores descobriram mais um fator para ao gigantismo.

Os amontoados de zooplânctons e krill ocorriam apenas em algumas épocas do ano, em locais muito distantes uns dos outros. As baleias precisavam migrar milhares de quilômetros em busca do alimento.

Os ancestrais de baleia que tinham mais “espaço” para armazenar comida sobreviveram às longas migrações, enquanto baleias menores se extinguiram. De acordo com os pesquisadores, se as espécies não precisassem nadar tanto para alcançar os amontoados de alimento, não haveria essa seleção de baleias gigantes como ocorreu.

A baleia azul, por exemplo, é capaz de se mover muito usando pouca energia. Ela é bem mais eficiente que uma baleia pequena, explicam os cientistas. Tornou-se vantajoso para esses deslocamentos de grandes distâncias ser um animal gigante.

Fonte das informações: Independent evolution of baleen whale gigantism linked to Plio-Pleistocene ocean dynamics e How Whales Became the Biggest Animals on the Planet.