Julho é mês de férias e provavelmente você vai pegar estrada com sua família para curtir uns dias na casa da vó, na praia ou no sítio, certo? No trajeto da viagem, é comum ver animais atropelados, um acontecimento triste e muito recorrente em todo o país.

Cerca de 475 milhões de animais selvagens são atropelados todos os anos no Brasil. Isso significada que a cada segundo, 15 animais são atropelados. Em um único dia, morrem quase um milhão e meio de bichos.

90% desses animais mortos em estradas são de pequeno porte, 9% são de médio porte e 1% (cerca de 5 milhões de animais) são animais grandes, como capivaras, antas, lobos-guará, onças, onças pardas e cachorros do mato.

Animais nas estradas de Minas

Como Minas Gerais é um estado com muitas estradas, espécies diferentes de animais são afetadas em cada região. O lobo-guará é muito ameaçado e também muito atropelado em todo o Estado. Em algumas regiões do Triângulo Mineiro, os tamanduás também são vítimas recorrentes de atropelamentos.

Algumas espécies de cachorro do mato também estão entre os mais vulneráveis.  Há muita morte de felinos, como onças pardas e jaguatiricas também.

Os fatores que aumentam o perigo são a presença de vegetação próxima às estradas e a falta de respeito aos limites de velocidade em regiões de conservação.

Projeto Estrada Viva

Em estudos de ecologia de estradas, os pesquisadores buscam compreender, além dos prejuízos relacionados aos atropelamentos, efeitos marginais da criação de estradas em áreas de conservação ambiental, ou seja, nas regiões em que os animais vivem.

O projeto Estrada Viva – Núcleo de Pesquisa em Ecologia de Estradas, financiado pela Fapemig e coordenado pelo professor e pesquisador Alex Bager, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), buscou identificar quais seriam as áreas de conservação mais afetadas por efeitos de rodovias no Brasil, incluindo o atropelamento de fauna.

O que começou com o monitoramento em 12 unidades de conservação avançou para um processo maior, com cerca de 30 unidades de conservação monitoradas e ampla coleta de dados.

“Entender esse processo e saber onde implantar as rodovias ajuda muito a reduzir os impactos, principalmente sobre espécies ameaçadas de extinção e outras espécies que, embora não estejam ameaçadas, sofrem um grande número de atropelamentos”, explica o professor Alex.

Equipe do Sistema Urubu / Divulgação

Equipe do Sistema Urubu / Divulgação

Urubu Mobile e Ciência Cidadã

sistema_urubu_logoPara ampliar as ações de conservação ambiental, foi criado o Sistema Urubu, que tem o objetivo de contribuir com o governo e concessionárias de rodovias na identificação de áreas de maior risco de atropelamento de animais silvestres, além de mapear as espécies mais afetadas em cada ponto.

Foi criado também o Urubu Mobile, uma plataforma tecnológica (aplicativo) que opera na lógica da ciência cidadã. Isso significa que o aplicativo dá poder para que qualquer pessoa do mundo possa coletar informações sobre fauna atropelada e enviar pelo celular, e essa informação é transformada em ciência.

“É uma ciência que não fica só dentro da Universidade, mas nos auxilia na tomada de decisões”, destaca o professor Alex. Com os dados coletados pelo aplicativo, é possível desenvolver políticas efetivas para o controle e redução dos índices de atropelamento, garantindo a preservação da biodiversidade.

Mais de 50 mil downloads do aplicativo já foram feitos (faça o seu aqui) e há mais de 25 mil dados armazenados no sistema.

Essas informações são importantes porque impactam positivamente na construção de políticas públicas e no desenvolvimento de trabalhos de educação ambiental, além de contribuir para a pesquisa científica e para a mudança de comportamento de motoristas.

“A repercussão do aplicativo foi fantástica e tem ajudado muito na conversação em todo o território nacional. Isso só acontece pela participação das pessoas. Cada usuário é uma peça muito importante, uma engrenagem do Sistema Urubu, que ajuda a conservar milhares ou talvez milhões de animais todos os anos no Brasil”, comemora o professor Alex.

O que fazer quando encontrar um animal atropelado?

O professor Alex Bager dá algumas orientações para quem estiver na estrada e encontrar animais atropelados:

  • Se o animal está vivo, nunca tente resgatá-lo, pois existem profissionais especializados para isso. Se você está em uma estrada sob concessão, procure um centro de atendimento ao usuário, ou avise à Polícia Rodoviária, no caso das estradas não-privatizadas.
  • Nunca tente fazer o resgate do animal, porque ele pode atacar mesmo estando machucado e assustado. Além disso, alguns animais transmitem doenças e é preciso saber se aproximar deles com segurança.
  • A melhor coisa a fazer é avisar as autoridades e enviar a informação para o Urubu Mobile, para que os pesquisadores possam trabalhar com essa informação e tentar evitar novos atropelamentos naquele local.

“Quanto mais pessoas utilizarem o Sistema Urubu, melhor serão as informações de quais espécies são mais afetadas e onde elas são atropeladas. Baixe o aplicativo, faça seu cadastro e envie o maior número possível de fotos de animais selvagens atropelados. Você também pode colaborar compartilhando o Sistema Urubu com amigos e acompanhando as redes sociais“.

Crianças e o mascote do projeto / Divulgação

Crianças e o mascote do projeto / Divulgação

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