Você já ouviu falar em xistose, doença do caramujo ou barriga d’água? Esses são os nomes mais populares da esquistossomose, doença que atinge cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que aproximadamente 9 milhões de pessoas estejam infectadas.

A doença é causada pelo parasito, o Schistosoma mansoni:

As pessoas infectadas pela xistose, que moram em áreas sem saneamento, normalmente, fazem suas necessidades perto de córregos, rios, represas e lagoas. Os ovos do Schistosoma saem junto com as fezes entram em contato com água.

Esses ovos microscópicos abrem dentro da água e liberam uma larva chamada miracidio, que nada ativamente e penetra em um caramujo que mora nestas águas.

Cerca de 45 dias depois, nas horas mais quentes do dia, esses caramujos começam a liberar outra larva (cercárias), também microscópicas. Estas larvas nadam ativamente e penetram na pele das pessoas que estão dentro d’água para atividades de trabalho ou lazer.

Conheça agora o caramujo de nome científico Biomphalaria, que transmite a doença::

O caramujo é muito pequeno, mas visível a olho nu. Os maiores exemplares tem o tamanho de uma moeda de 1 real.

Veja a seguir o caminho completo da esquistossomose no nosso corpo:

A esquistossomose pode causar dor de barriga, diarreia, desânimo e cansaço. No desenho animado abaixo você vai conhecer a história do Maneco, que teve xistose:

Atenção, alunos e professores!

Se quer saber mais sobre esta doença ou se está fazendo alguma pesquisa escolar sobre o assunto, sugerimos o site http://www.xistose.com. Este portal reúne informações valiosas e materiais educativos sobre a doença.

Foto: Assessoria de imprensa Fiocruz

Foto: Assessoria de imprensa Fiocruz

O site é resultado do trabalho de cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e tem apoio da Fapemig. Se você é professor e precisa de material para trabalhar o assunto, fique à vontade para navegar pelo portal. Há também informações educativas de outras verminoses e até material sobre Aedes Aegytpi.

O coordenador do projeto, Cristiano Lara Massara, conta sobre os bastidores da criação do site. Segundo ele, a equipe da Fiocruz trabalha coletando sangue de estudantes de escolas públicas de Minas Gerais. A coleta é preventiva, para saber se as crianças estão com alguma doença e cuidar da saúde.

Nessas visitas, a equipe percebeu que alunos e professores tinham pouco conhecimento sobre a xistose, por isso, os pesquisadores resolveram desenvolver um conteúdo educativo/informativo digital sobre esquistossomose para a educação básica.

“Conversamos com os professores e precisávamos fazer essa orientação sobre a doença com mais seriedade. Aplicamos questionários aos educadores para conhecer a informação que passavam sobre a doença. Ficamos preocupados com ideias equivocadas. Vimos também que o material que usavam para estudar a esquistossomose não era legal. Para ser ter uma ideia, todos os caramujos mostrados nesses materiais estavam errados, não eram o caramujo da esquistossomose”, explica Cristiano Lara.

Assim, a equipe da Fiocruz produziu um vasto material para ser usado nas escolas. Fizeram livros, jogos, vídeos e folders. Tudo isso está disponível online para download gratuito.

“O material é lúdico e bem humorado. Aborda epidemiologia, diagnóstico e tratamento, entre outros. É um multiplicador de saberes na área e queremos que contribua para saúde da população brasileira. Esperamos que as escolas usem e abusem desse material”, afirma o coordenador.

Foto: Assessoria de imprensa Fiocruz

Foto: Assessoria de imprensa Fiocruz

Genoma do caramujo 

Caramujo Biomphalaria glabrata é espécie mais importante na transmissão da esquistossomose no Brasil (Foto: Arquivo dos pesquisadores)

Caramujo Biomphalaria glabrata é espécie mais importante na transmissão da esquistossomose no Brasil (Foto: Arquivo dos pesquisadores)

Dois professores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) participaram do sequenciamento e análise do genoma do caramujo Biomphalaria glabrata, espécie mais importante na transmissão da esquistossomose no país. Matheus de Souza Gomes, do Instituto de Genética e Bioquímica, e Laurence Rodrigues do Amaral, da Faculdade de Computação, ambos do campus Patos de Minas, integraram a equipe que realizou o estudo.

O trabalho foi realizado em colaboração com o pesquisador Coen M. Adema, da University of New Mexico, e mais 117 pesquisadores de 50 instituições localizadas nos Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, França, Canadá, Austrália, Dinamarca, Alemanha, Holanda e Quênia. Pesquisadores da Fiocruz também participaram do projeto.

Foram identificadas as proteínas envolvidas na via de processamento de pequenos RNAs (ácido ribonucleico) e também os miRNAs (pequenos RNAs) efetores do processo. A descoberta desses pequenos RNAs abre uma gama de oportunidades para o estudo e torna essas moléculas potenciais alvos para busca de novas terapias para o controle da esquistossomose.