Minas Gerais é o estado com maior número de cavernas conhecidas no Brasil. Além disso, a região dos municípios de Arcos, Pains e Doresópolis, no Centro-Oeste mineiro, tem 2.500 cavernas, a maior concentração da América Latina.

Somos ricos em moradas subterrâneas que abrigam curiosas espécies de animais, além de guardar mistérios sobre a vida natural. Convidamos você a explorar a diversidade da escuridão. E ai, topa?

Cavernas Graníticas no Leste de Minas Gerais. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Cavernas Graníticas no Leste de Minas Gerais. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

O que é uma caverna?

Caverna é um ecossistema frágil e delicado.  Ela é formada por canais horizontais, verticais com fraturas e fendas nas rochas. O fundo das cavernas é um ambiente escuro onde não crescem plantas e vivem animais em condições muito restritas. São locais extremamente úmidos e com temperaturas que não variam muito.

Nesses ambientes subterrâneos existem animais pequenos, que gostam de viver isolados e levam uma rotina bem diferente das espécies de superfície. São geralmente de cor branca e cegos. O sentido da visão é quase desnecessário a eles, por causa do escuro, mas esses bichos desenvolvem um olfato muito aguçado.

Aranha troglóbia que vive em cavernas de ferruginosas de MG. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Aranha troglóbia que vive em cavernas de ferruginosas de MG. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Vida subterrânea

Nas cavernas é possível encontrar peixes, aranhas, pássaros, morcegos, baratas, cigarras, invertebrados variados, além de muitos fungos e bactérias. O professor dr. Marconi Souza Silva, na Universidade Federal de Lavras (UFLA), investiga os ambientes subterrâneos. Junto com a equipe do Centro de Estudos em Biologia Subterrânea, ele entra nas cavernas para conhecer e estudar os animais que lá vivem.

Barata troglóbia que vive em cavernas de quartzíticas do Sul de Mias Gerais. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Barata troglóbia que vive em cavernas de quartzíticas do Sul de Mias Gerais. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Veja mais fotos de animais na  site do centro de estudos.

De acordo com o professor, as espécies têm hábitos para ambiente escuro e preferem o sossego das cavernas. Algumas aparecem também na superfície, mas outras ficam para sempre no mundo subterrâneo.

O professor conta, por exemplo, que em grutas do Parque Estadual do Ibitipoca, na Zona da Mata de Minas, há um tipo de barata que se isolou e vive somente nas moradas subterrâneas. No Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no Norte de Minas, onde há grutas bonitas e volumosas, vivem peixes cegos que habitam o local há muitos anos.

Riquezas de Minas

O Brasil tem 15 mil cavernas conhecidas sendo que 6 mil estão em Minas Gerais. Em uma das pesquisas do professor Marconi foram estudadas 51 cavernas, onde os cientistas encontraram 22.960 animais invertebrados.

Morcego predador que vivem em cavernas. Nome científico: chrotopterus auritus Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Morcego predador que vivem em cavernas. Nome científico: chrotopterus auritus. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Durante esse trabalho, a equipe visitou cavernas em São Thomé das Letras, Carracas, Itamonte, Andrelândia, Paraisópolis, Campestre, Munhoz, Santa Rita de Ibitipoca, Lima Duarte, entre outros municípios e distritos.

Em Minas, há muita diversidade de rochas, por isso é possível encontrar cavernas de origens carbonáticas, ferruginosas, areníticas, quartizíticas, graníticas. Esses nomes diferentes estão relacionados ao material que forma a rocha podendo ser calcário, arenito, ferro, entre outros.

Cavernas Ferruginosa no quadrilátero ferrífero, Região Central de Minas. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Cavernas Ferruginosa no quadrilátero ferrífero, Região Central de Minas. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Como os cientistas pesquisam cavernas?

O grupo de pesquisa coordenado pelo professor Marconi tem cerca de 30 pessoas, que fazem expedições às cavernas para coletar material. Munidos de botas, capacetes e lanternas, eles se cuidam para garantir a segurança em cada entrada. Algumas grutas exigem que os cientistas façam rapel para entrar.

Depois do trabalho de campo, os pesquisadores encaram horas de trabalho nos laboratórios para entender detalhes sobre os animais encontrados nas grutas. Eles fazem até estudos genéticos desses bichinhos.

Também é papel dos cientistas lutar para preservar as cavernas. Por isso, levantam conhecimento sobre a vida subterrânea para que toda a sociedade saiba da necessidade de proteger e conservar esses espaços.

Se você quer trabalhar explorando as cavernas, saiba que é uma área em crescimento e carente de profissionais. De acordo com o professor Marconi, os ambientes subterrâneos são ricos para estudos de biologia, geologia, história, arqueologia, entre outras ciências.

Animal que vive em cavernas de Pains. Nome científico: crustacea isopoda Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Animal que vive em cavernas de Pains. Nome científico: crustacea isopoda. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Mais ciência nas cavernas

Além de importantes porque guardam uma variedade de espécies de animais, as cavernas armazenam micro-organismos que podem ser usados na produção de remédios, como já acontece nos EUA.

 Andorinhão-de-coleira encontrada em cavernas no Sul de Minas Gerais Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Andorinhão-de-coleira encontrada em cavernas no Sul de Minas Gerais. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Há cientistas também que estudam o comportamento de animais das cavernas, em pesquisas de cronobiologia, para definir reações dos organismos em um local onde não é possível separar noite e dia.

Diferente da nossa rotina, em que existe período de claridade e escuridão, lá nas profundezas das grutas, tudo é escuro o tempo todo.

Na França, há cientistas e produtores rurais usando as cavernas para maturar queijos. Alguns tipos de queijo são enriquecidos por fungos e bactérias.

Em breve a Revista Minas Faz Ciência Infantil trará uma matéria especial sobre o mundo vivo que há dentro dos queijos. Não deixe de ler!

Caverna no Parque Estadual do Ibitipoca. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Caverna no Parque Estadual do Ibitipoca. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

 

Caverna no Parque Estadual do Ibitipoca. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Caverna no Parque Estadual do Ibitipoca. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

 

Caverna na cidade de Pains. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea

Caverna na cidade de Pains. Foto: Centro de Estudos em Biologia Subterrânea