Já imaginaram como seria uma bicicleta do futuro? Não? A minha teria conforto e segurança, com zilhões de sensores interligados entre o usuário e a bike. Esse sistema permitiria que o ciclista fosse iluminado por meio de uma mochila, com lâmpadas para pedalar à noite. Além disso, tudo seria monitorado por meio de um GPS (que iria registrar tempo, distância e velocidade). Ah! E que tal os batimentos cardíacos medidos durante o percurso? Mas o melhor da história é o seguinte: toda a energia necessária para isso tudo acontecer seria gerada pelo próprio andar da bicicleta.

Realidade distante essa, hein? Que nada!!! Um projeto elaborado na Escola Estadual João Rodrigues da Silva, em Prudente de Morais, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, desenvolveu um acessório que permite todas essas e outras utilidades.

Estou falando do “Nossa Bike”, um sistema de sensores integrados à bicicleta, e alimentado por um dínamo (aparelhinho que converte energia mecânica em elétrica), que fica na roda traseira e gera a energia necessária para o funcionamento dos equipamentos: setas para sinalizar direita e esquerda, detectores de aproximação de veículos – que fazem barulho se um carro se aproximar – e sensores de impacto espalhados em pontos estratégicos da bike, com chamado de emergência e localização.

Ah! E caso o ciclista sofra um acidente, com apenas um toque, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou um contato de emergência – sugerido pelo próprio ciclista – pode ser chamado. Acha que já acabou tudo? Não! Para garantir a segurança também da bike, há um sistema antifurto, com trava especial no cubo e na coroa, e com travamento em cercas e postes – no caso de existir bicicletário para estacionar a bicicleta.

Coordenador do Nossa Bike, o professor Giezi Américo Reginaldo conta que a ideia do projeto surgiu depois de uma pesquisa feita com os próprios alunos que usavam bicicletas para ir à escola. O estudo mostrou que muitos deles já tinham sofrido algum tipo de acidente com a bike – e a maioria, à noite. “Fizemos, então, um colete que seria usado pelos ciclistas, com uma fita de lâmpadas de led, que acendia à medida em que ele pedalava”, lembra.

A ideia era boa, mas eles perceberam que poderiam ir mais longe e inventaram outros acessórios por meio do Nossa Bike. Hoje, já abandonaram o colete e optaram por aplicar a fita de led em uma mochila com mais utilidades. “Queríamos ir além, garantindo ainda mais proteção aos ciclistas, que sofrem muitos acidentes”, explica o Giezi.

Além dele, três alunos participam do projeto: Gabriela Abreu, Larissa Oliveira e Pedro Goulart. Para a Gabriela, de 17 anos, que cursa o terceiro ano do ensino médio, o Nossa Bike busca proteger a vida do ciclista. Segundo ela, a primeira versão foi ganhando novos acessórios graças aos conhecimentos de Física do coordenador Gieze. “Fomos evoluindo com outras possibilidades. Agora, estamos em fase de divulgação, pois é sempre bom mostrar o que se pode fazer para melhorar o País”, acredita a estudante.

Com essa trajetória, no último sábado o professor Giezi foi homenageado no quadro Ao mestre com carinho, do programa Caldeirão do Hulk.

Veja sua história inspiradora aqui: https://globoplay.globo.com/v/5700018/a