Quando se fala em ciência, o que surge em sua mente? Alguém vestido de jaleco? Um laboratório cheinho de microscópios e tubos de ensaio? Vidros, vidrinhos e vidrões com bichos, plantas, pedras etc.? É bem verdade que muitos cientistas trabalham assim… Será, porém, que não há outros “zilhões” de possibilidades de roupa ou de ambiente de trabalho? O interessante dessa história é perceber que a prática científica existe, ao mesmo tempo, de diversas maneiras: enquanto certas pessoas estudam bactérias e vírus minúsculos, por exemplo, outras estão nas ruas, perguntando aos cidadãos o que eles acham do governo, da economia, do esporte ou da família.

Por causa dessa enorme variedade de possibilidades, definir a ciência, numa só frase, parece algo bem difícil, não é verdade?! Mesmo assim, a gente resolveu perguntar a estudantes, professores, cientistas e outras pessoas o significado dessa incrível atividade humana. Vamos ver o que eles disseram?

“Para mim, é o estudo da vida”, resume João Vítor, de 8 anos, aluno da Escola Municipal Professora Modesta Cravo, em Belo Horizonte. Que ótima a definição do João, né? É importante lembrar, contudo, que ela está ligada a uma área de estudo, chamada de Ciências Biológicas.

Se pensarmos de maneira mais ampla, a ciência se divide em pelo menos outros dois campos de estudo: as Exatas e as Humanas. Quer um exemplo de alguém que se interessa por várias coisas ao mesmo tempo? O professor e cientista Cássio Hissa, da Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, é formado em Geografia, mas estudou outras diversas coisas (que também são ciências, embora nem todo mundo saiba), como Belas Artes, Música e Sociologia. Para ele, a ciência existe para responder a questões importantes e solucionar certos problemas da vida: oioioioi

“Para que as pessoas vivam melhor, é preciso que a ciência crie um novo modo de ver o mundo”, acredita.                               

Feijões e hipóteses

Para saber mais sobre o conceito de ciência, também conversamos com a cientista Fabiana Beghini Avelar, que pensa de um jeito bem parecido. Ela é formada em Física e logo será doutora em Ciências e Técnicas Nucleares na UFMG. Além disso, a Fabiana escreveu livros infantis e é mãe do Mateus, de dois anos. Quando a perguntamos o que é ciência, ela respondeu assim:

“É uma forma de conhecermos como funciona o mundo em que vivemos, desde o plantio de uma semente até a mudança da posição das estrelas ao longo da noite. A observação nos leva a criar hipóteses que explicam ou tentam explicar como os fenômenos ocorrem”.

Quando a Fabiana fala em “hipóteses”, você sabe o que isso significa? É mais ou menos como imaginar de que modo seria uma coisa que a gente ainda não conhece tão bem. Veja este exemplo: se alguém puser uma sementinha de feijão em um pedaço de algodão molhado com água, pode pensar na hipótese de que a planta germinará em… dois dias. Depois disso, será preciso observar o algodão diariamente, para saber quando, exatamente, nascerá o primeiro brotinho.

Após a primeira tentativa, o ideal é repetir o experimento com outro feijãozinho. Apesar de todo o aprendizado com a primeira planta, nada nos garante que, na segunda vez, tudo ocorra da mesma forma. Afinal, vários fatores podem interferir na experiência: se o tipo do feijão for diferente, por exemplo, ele pode demorar mais ou menos para brotar.

Assim é a ciência! Antes de começar a investigar alguma coisa, o cientista pensa em hipóteses, que podem ou não se confirmar durante os experimentos. Além disso, ele costuma consultar teorias, elaboradas por colegas que escreveram livros sobre o mesmo assunto e poderão ajudá-lo a ter novas ideias e a formular. Hoje em dia, esse acervo de livros está disponível na biblioteca e também na internet.

Veja que história legal: a penicilina, primeiro remédio antibiótico, foi descoberta em 1928, pelo médico inglês Alexander Fleming. Ele acompanhava a evolução de colônias de bactérias, quando percebeu que algumas tinham sido contaminadas por um fungo, com aspecto de mofo (ou bolor). As bactérias afetadas por este fungo, identificado, mais tarde, como penicilina, não sobreviveram. Nascia, então, o mais popular medicamento contra doenças bacterianas, que continua a salvar milhões de vidas.

E aí? Vamos brincar de ciência?Quem sabe você descobre outras possibilidades?

Por: Alessandra Ribeiro e Maurício Guilherme Silva Jr.