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Téo Scalioni

Ao imaginar um cientista, aposto que surge em sua cabeça a imagem de uma pessoa de cabelos branquinhos. Além disso, nos filmes, ou nos desenhos animados, também há um monte de inventores mais velhos. Isso tudo deve ser para mostrar que eles têm muita sabedoria… O problema é que, no dia a dia, a coisa não é bem assim. Afinal, muitos cientistas se dedicam aos estudos ainda bem novinhos. E fazem grandes descobertas nessa fase da vida!

Para acabar com a ideia de que os cientistas precisam ser sempre mais velhos, e para despertar de vez o interesse dos jovens pela ciência, algumas instituições – ligadas ao governo ou às empresas – buscam mostrar a pesquisa científica a crianças e adolescentes. Assim, estudantes de diferentes idades entram em contato com a ciência, que – ora, bolas! – não deve ser permitida apenas para maiores de 18, né?!

Uma dessas ideias é o programa Bolsista de Iniciação Científica Júnior, também conhecido como “Bic-Júnior”, criado pela Fundação Ezequiel Dias, a Funed. Por meio desse programa, jovens de 15 a 18 anos trabalham diretamente com pesquisas em áreas como Biologia, Química e Fisioterapia.

Para a bióloga Esther Margarida Bastos, diretora de Pesquisa e Desenvolvimento da Funed, o projeto põe os jovens em contato com uma realidade bem nova, mas que parecia estar muito distante. “Eles podem praticar tudo o que aprendem. Além disso, entram em laboratórios, fazem pesquisa e trabalham com vacinas, soros e células-troncos”, orgulha-se.

O interesse pela ciência está nas palavras de Matheus Leandro de Araújo, de 16 anos, que é aluno do 2° ano do ensino médio e participa do Bic-Júnior. “Eu fico em um laboratório de Física-Química, só por conta de estudar e fazer experiências”, conta, ao lembrar que, devido à oportunidade, evoluiu muito. “Você descobre muita coisa e tem uma experiência com áreas ajudam na escolha por uma faculdade”.

Quem compartilha com o pensamento de Matheus é Thamires Caroline dos Santos, de 15 anos, também estudante do ensino médio. A jovem, que, em seu tempo livre, adora ler e escutar músicas, participa do programa Bic-Júnior da Funed. Para ela, é muito importante a oportunidade de trabalhar com ciência, pois aprende muito! “Tenho vários objetivos e quero alcançar todos eles. Por isso é que me dedico e estudo tanto. Estar no meio da ciência é ter responsabilidades e saber o que está fazendo”, diz.

Caminhão da ciência

Quem participa do Bic-Júnior também colabora com um programa chamado “Ciência em Movimento”, que mostra a prática científica às crianças mineiras, com a ajuda sabe de quê? De um caminhão! Dentro dele, os alunos bolsistas explicam uma porção de coisas legais: “Os estudantes criam maquetes, por exemplo, para mostrar a produção de soro. Há, ainda, um laboratório para estudo de venenos, uma indústria de queijo, serpentes, aranhas gigantes e jogos informativos”, explica a bióloga Esther.

Aprender a empreender

Você já ouviu falar em empreendedorismo e inovação? Não! Vou explicar: lembram daquele conto da formiga e da cigarra? É o seguinte: a formiga passou o verão trabalhando e se preparando para o inverno. Já a cigarra queria saber só de cantar. Quando o frio chegou, a formiguinha estava completamente confortável em sua nova casa, que construiu com folhas. Já a cigarra congelava na baixa temperatura, sem ter onde ficar. Sorte da cantora que a amiga formiga era generosa e a convidou para passar o inverno ao lado dela.

Então! Nesse caso, a formiguinha foi a empreendedora, pois teve uma ideia, se planejou, preparou tudo e pôs em prática até chegar no resultado desejado – no caso, a a construção de sua casinha. Empreender é isso: a partir de uma ideia, realizar um projeto.

Já inovação é quando se inventa, transforma ou se muda alguma coisa que, no final das contas, melhora a vida das pessoas, ou modifica de uma rotina.

Pensando nisso, o Colégio Loyola, de Belo Horizonte, em parceria com a fundação Dom Cabral, criou o projeto “Inovação Loyola(|iLo)”, que une, justamente, empreendedorismo e inovação. Destinado a crianças de 11 a 17 anos, da 6° série ao 3° ano do 2° grau, o programa quer incentivar os alunos a realizar projetos inovadores, que possam, já, já, virar algo útil para a sociedade, como um novo aplicativo, um game ou mesmo um robô. Enfim: é uma verdadeira fábrica de ideias!

O interesse dos alunos foi tão grande que, em 2015, houve 48 projetos inscritos e 10 selecionados. Neste ano, 62 estudantes cheios de imaginação se inscreveram – e 9 foram escolhidos. “Ajudamos a ideia a virar projeto, para, quem sabe, se transformarem em um produto ou serviço”, observa o professor Carlos Alberto de Freitas, que coordena o iLo.