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Vivian Teixeira

Sabe quando nosso coração bate acelerado, dá uma tremedeira nas pernas e uma vontade gigante de gritar “Manheeeeê!!!”? Pois é, quem nunca sentiu medinho de alguma situação ou aquela coisa que foi crescendo, crescendo, crescendo, até virar um medão? Isso não é vergonha nenhuma. Sentir medo é muito normal! E, em algumas situações, ele pode evitar que a gente passe por situações de perigo.

Nossa equipe foi descobrir um pouco mais sobre os medos das crianças e recebeu textos e desenhos de duas turminhas de 30 ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Vasco Pinto da Fonseca, de Contagem (MG). Descobrimos que muitas crianças têm medo de bichos variados, como cobra, aranha, rato, sapo, jacaré e lagartixa, enquanto outras têm pavor de histórias como a da Loira do Banheiro.

Ah! Também existe gente com medo de gente – mas só quando as outras pessoas estão mortas, alcoolizadas ou roubam algo. Isso mesmo, ladrão dá medo em muitos! Inclusive, na Ana Luiza, de 8 anos. Outra coisa interessante é o horror que as crianças têm de alguns personagens de filmes, desenhos ou quadrinhos. A Ana Clara, que também tem 8 anos, não pode nem ver o personagem Smigol, do filme Senhor dos Anéis. Ela até fez um desenho dele pra gente!

A química do medo

Em uma situação de perigo, acontece uma reação química muito interessante com o ser humano. Quando algo provoca medo, o corpo se prepara para uma suposta defesa e libera vários tipos de hormônios. Um deles é a adrenalina, que, na corrente sanguínea, aumenta os batimentos cardíacos, causa suor e pode fazer as pessoas tremerem. Tudo isso acontece para deixar a pessoa mais atenciosa e preparada para enfrentar a situação.

Algumas crianças ficam tristes por sentirem um medo que, às vezes, cresce tanto, tanto, que elas não sabem o que fazer. A psicóloga Gláucia Pinheiro explica que ninguém precisa ficar chateado por isso. Segundo ela, os temores mudam com a idade e alguns podem permanecer ao longo da vida, como o pavor de bichos: “Muitas vezes, a criança fica com medo de determinado bicho porque vê os pais correrem dele. Isso liga um alerta na cabecinha dos pequenos, que começam a relacionar o perigo, por exemplo, a um inseto”, explica. Ela lembra, também, que o medo da própria morte – ou da morte dos pais – é muito comum, mas, à medida que crescem, meninos e meninas entendem melhor que tudo são etapas da vida.

Sai pra lá, tristeza!

E quando o medo chega a doer e nos tira a coragem de ir à escola? Aí, não é legal. Quando o temor é tão grande que nos impede de fazer algo, ou nos deixa muito tristes, é preciso contar para os pais e buscar ajuda. Gláucia explica que algumas crianças têm medo de tirar notas baixas, e, por isso, querem faltar às aulas ou parar de brincar. “Um psicólogo pode ajudar a descobrir por que o medo está causando tanta dor. Mas é importante a criança ter tempo para tudo: estudar e brincar”, recomenda.

Ao tratar de medo, é fácil lembrar dois medrosos muito famosos: o Salsicha e o Scooby Doo. Eles passam vários episódios do desenho com medo de fantasmas ou de monstros, que, na verdade, são de mentirinha, não é mesmo? No fim das contas, a história de terror nos faz dar boas gargalhadas!