Alessandra Ribeiro
Ilustração: Felipe Bueno

É claro que não vai se lembrar, mas, já nos primeiros dias de sua vida, você sentiu aquela picadinha chata, ardida e que – ainda bem! – passa rapidinho… Quem te ama deve ter ficado com o coração apertado! Afinal, é fogo ver um bebê tão lindo e pequenino tomar a primeira injeção, né? Apesar da dorzinha, tudo vale realmente a pena: sabia que só assim é que a gente pode te proteger de várias doenças?

Sim! Estamos falando das vacinas, que funcionam da seguinte forma: elas enganam nosso corpo, ao nos pôr em contato com vírus e bactérias modificados. Ahn?! Como assim? Cada vacina diferente é capaz de ativar o sistema de defesa das pessoas (também conhecido como “sistema imunológico), que passa a produzir anticorpos, proteínas que lutam contra os agentes causadores de infecções. Então, se formos expostos a vírus e a bactérias de verdade, nossos anticorpos já estarão prontos para nos defender!

Quem um exemplo? Vamos imaginar que alguém tenha pegado rubéola, aquela doença que deixa o corpo cheio de manchinhas vermelhas. Se a pessoa ficou doente uma vez, ela nunca mais passara por aquilo. Sabe por quê? Os anticorpos produzidos contra a doença ficarão no sangue dela até a vida adulta. 

Gotinha ou injeção?

E você sabe por que algumas vacinas são aplicadas em forma de gotinha – o que os adultos chamam de “via oral” – e outras como injeção? Quem nos responde é o médico Jorge Andrade Pinto, que também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG: “Os cientistas vão decidir, depois de fazer vários estudos, como é que a vacina funciona melhor. Ela, afinal, bloqueia a porta de entrada do agente infeccioso”.

O professor explica, também, que a vacina “oral” nos protege contra um tantão de agentes (vírus, bactérias etc.), que, normalmente, entram no organismo pela boca e pelo intestino. Já a vacina da injeção (chamadas de “injetáveis”) tenta defender várias outras portas de entrada do corpo.

A maior parte dos organismos causadores de doenças entra no corpo pelas vias respiratórias – principalmente, pelo nariz. É justamente contra esses agentes intrusos que as vacinas injetáveis são mais eficientes.

Ah! Por falar nisso, confesso que eu sempre quis saber por que algumas injeções são aplicadas no braço, outras na coxa e… no bumbum. Aposto que você também, né? O professor Jorge explica: “Quanto mais músculo no local da aplicação, menor é a dor e mais facilmente a vacina será absorvida. Nas crianças pequenas, normalmente, a injeção é na coxa. Nas maiores e nos adolescentes, no braço”.

Ninguém precisa ter medo de se vacinar! Certas pessoas pensam, até mesmo, que as vacinas podem causar outras doenças… Vê se pode! Alguns pais nem vacinam os filhos, justamente, por acreditar em informações erradas que eles encontram, principalmente, na internet.

O professor garante que as vacinas são seguras: “Antes de ir para o mercado, a vacina passa por muitos testes, para sabermos se ela é eficiente e segura. Quando as pessoas deixam de se vacinar, aumenta o risco de doenças já controladas aparecerem de novo”. 

Xô, doença!

Você já deve ter percebido que vacinar é algo muito, muito importante, né? “Depois da água tratada, as vacinas são a medida mais eficiente para a redução da mortalidade infantil, do ponto de vista da saúde pública”, diz o professor Jorge.

A paralisia infantil, por exemplo, é muito perigosa, mas, felizmente, nenhum caso é registrado no Brasil, desde 1980, graças a quê? Às campanhas de vacinação! Pelo mesmo motivo, o sarampo e alguns tipos de meningite também são muito raros por aqui. Ah! E o País oferece, de graça, vacinas contra 20 doenças. Neste assunto, na verdade, a saúde brasileira é referência mundial!

Saiba mais:

  • O aplicativo Vacinação em Dia, do Ministério da Saúde, permite organizar as informações da caderneta de vacinação e programar as próximas datas de imunização em tablets e smartphones. Por meio dele, o usuário recebe lembretes sobre as campanhas, além de informações sobre cada uma das vacinas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço é gratuito e está disponível para download na App Store e no Google Play. É importante lembrar que o aplicativo não substitui a caderneta de vacinação, que deve ser entregue ao profissional de saúde para a anotação das doses administradas e serve como documento de comprovação da vacinação em dia.
    https://play.google.com/store/apps/details?id=com.digital.vacinacao
  • Você conhece o Zé Gotinha, mascote das campanhas de vacinação no Brasil? Dê uma olhada no que ele anda aprontando…